Tribunal de Haia exige que Israel evite 'genocídio' e permita ajuda a Gaza

A Corte Internacional de Justiça entrega seu veredito no caso África do Sul contra Israel em Haia em janeiro | CIJ-Corte Internacional de Justiça/ Frank van Beek (Arquivo)

A acusação de genocídio contra Israel foi apresentada à CIJ pela África do Sul


A Corte Internacional de Justiça (CIJ), o mais alto tribunal da ONU, adotou nesta quinta-feira (28) medidas cautelares adicionais contra Israel e exigiu que evite que seu Exército cometa "atos de genocídio" contra os palestinos na Faixa de Gaza ou impeça a entrega de assistência humanitária.

A CIJ, que tem sua sede em Haia, na Holanda, alertou que os civis na Faixa de Gaza "já não enfrentam apenas o risco de fome", como o tribunal havia advertido em 26 de janeiro, quando pediu a Israel medidas urgentes para prevenir o genocídio, mas que "a fome já está se estabelecendo" e "as condições de vida catastróficas dos palestinos em Gaza tornaram-se ainda piores".

O tribunal exige que Israel "tome todas as medidas necessárias e eficazes" para garantir a prestação "desimpedida e em grande escala" de serviços básicos e assistência humanitária, incluindo alimentos, água, eletricidade, combustível, abrigo, vestuário, requisitos de higiene e saneamento, suprimentos médicos e cuidados de saúde.

A acusação de genocídio contra Israel foi apresentada à CIJ pela África do Sul. Em audiência em janeiro, a delegação de Israel negou que esse crime esteja ocorrendo em Gaza.

"O componente-chave do genocídio, a intenção de destruir um povo, no todo ou em parte, está totalmente ausente. O que Israel procura ao operar em Gaza não é destruir pessoas, mas proteger o seu povo, que está sob ataque em múltiplas frentes, e fazê-lo de acordo com a lei, mesmo quando enfrenta um inimigo cruel", apontou, alegando que são tomados cuidados para minimizar baixas civis.

Em entrevista à CNN este mês, o Primeiro-Ministro israelense, Benjamin Netanyahu, negou que Israel esteja impedindo a entrada de ajuda humanitária em Gaza.

"Nossa política não é a fome, mas sim a entrada de ajuda humanitária conforme o necessário, e tanto quanto for necessário", afirmou Netanyahu.

Em relatório divulgado no último dia 20, o Comitê de Assuntos Públicos Israel-Americano afirmou que desde o início da guerra de Israel contra o Hamas, em outubro do ano passado, 280.080 toneladas de ajuda humanitária em 15.207 caminhões entraram na Faixa de Gaza.

"Quantidades substanciais desta ajuda não chegam aos civis de Gaza em tempo útil devido à ineficácia da ONU e das organizações humanitárias no processamento e distribuição da ajuda. O Hamas contribui para o problema roubando e desviando regularmente ajuda destinada a civis", acusou o comitê.

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