Al Jazeera classifica como 'ato criminoso' a ordem de fechamento de escritórios em Israel

Al Jazeera: conglomerado de mídia é ligado ao governo do Catar, que Israel acusa de ser um dos principais financiadores do grupo terrorista Hamas | Foto: Stefano Campolo/Flickr

Al Jazeera garantiu que tomará todas as medidas legais disponíveis através de instituições internacionais


A rede de televisão do Catar, Al Jazeera, classificou neste domingo (5) como um “ato criminoso” a medida aprovada pelo governo de Israel para encerrar a emissão e os escritórios do canal no país, algo que a empresa denunciou que "viola os direitos humanos de acesso à informação".

"O governo do Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu decidiu, em um passo cheio de engano, ratificar por unanimidade a ordem de encerramento dos escritórios da Al Jazeera (…) Condenamos e denunciamos este ato criminoso israelense, que viola os direitos humanos de acesso à informação", disse a rede em um comunicado.

As autoridades israelenses retiraram os credenciamentos da equipe do canal, bloquearam todas as páginas do conglomerado Al Jazeera Media Network e proibiram a transmissão de seu conteúdo através de provedores de mídia, segundo a fonte.

Da mesma forma, descreveu como "irônico" que esta medida tenha sido aprovada apenas dois dias após o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa "sem levar em conta os fundamentos universalmente reconhecidos da liberdade de expressão".

No entanto, a Al Jazeera confirmou seu compromisso de continuar prestando seus serviços em todo o mundo e desafiando a "repressão de Israel contra a imprensa livre que visa encobrir seus crimes de assassinato e prisão de jornalistas".

Neste sentido, lembrou que "mais de 140 jornalistas palestinos" morreram no exercício do seu trabalho desde o início da guerra na Faixa de Gaza, em 7 de outubro de 2023, enquanto o editor-chefe da Al Jazeera em Jerusalém, Walid Omary, afirmou que houve "mais de 50 ataques" contra jornalistas do canal desde então.

Dado o encerramento dos seus escritórios, a Al Jazeera garantiu que tomará todas as medidas legais disponíveis através de instituições internacionais para proteger tanto os direitos da empresa como de seus jornalistas, "bem como o direito do público à informação".

O governo israelense tomou esta medida após o Parlamento ter aprovado no mês passado uma lei que permite o encerramento dos meios de comunicação estrangeiros, enquanto Netanyahu afirmou que os jornalistas da Al Jazeera "prejudicaram a segurança de Israel e incitaram contra os soldados do Exército".

A Al Jazeera é um dos canais com maior destaque e jornalistas na Faixa e, desde outubro do ano passado, tem noticiado bombardeios a hospitais, ataques a edifícios residenciais e mortes de habitantes de Gaza desarmados, que, segundo especialistas, podem ser considerados crimes de guerra.

O conglomerado de mídia é ligado ao governo do Catar, que Israel acusa de ser um dos principais financiadores do grupo terrorista Hamas e suas atividades na Faixa de Gaza.

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