Netanyahu pede indulto ao presidente em julgamento por corrupção

Primeiro-Ministro israelense, Benjamin Netanyahu (Foto: EFE/EPA/ABIR SULTAN)

Herzog diz que vai avaliar o "pedido extraordinário" com base em opiniões de especialistas


O Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, enviou ao gabinete do presidente do país, Isaac Herzog, um pedido de indulto para o julgamento no qual enfrenta três acusações de corrupção, suborno, abuso de confiança e fraude.

"O gabinete do presidente está ciente de que se trata de um pedido extraordinário com implicações importantes. Após receber todas as opiniões relevantes, o presidente considerará o pedido com sinceridade e responsabilidade", anunciou a Administração Herzog em comunicado.

O próprio Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu publicamente a Herzog que perdoasse as acusações contra Netanyahu, defendendo o papel do premiê na gestão do país. "Por que não lhe concedem o perdão? Quem se importa com alguns charutos e champanhe?", questionou Trump em visita a Israel em outubro. 

De acordo com informações da Agência EFE, a carta da equipe de advogados de Netanyahu, divulgada pela presidência, começa mencionando a missiva de Trump e, com base nela, solicita o perdão e o encerramento dos processos criminais contra o primeiro-ministro.

"Os processos criminais no caso do primeiro-ministro prejudicam os interesses do Estado de Israel, exacerbam as disputas entre os diferentes setores da população e desviam a atenção pública das questões políticas e de segurança da agenda nacional", indica a carta da equipe de Netanyahu.

Os advogados de Netanyahu defendem a tese de que após a atuação do premiê na gestão dos conflitos em Israel nos últimos dois anos, após os ataques de 7 de outubro, o mandatário deve agora focar toda a sua força, energia, tempo e inteligência para liderar o Estado de Israel".

Investigação

Netanyahu está sendo julgado pelo conhecido como "caso 1.000", acusado de ter recebido presentes do magnata de Hollywood Arnon Milchan em troca de favores políticos; e pelo "caso 2.000", no qual ele supostamente beneficiou o editor-chefe do veículo de comunicação "Yedioth Ahronoth", Arnon "Noni" Mozes, em um escândalo de fraude e abuso de confiança para prejudicar o jornal concorrente "Israel Hayom".

Além disso, ele está sendo julgado por ter cometido — em seu segundo mandato como ministro da Comunicação (2015-2017) — supostamente um crime de suborno ao empresário Shaul Elovich, que controlava a empresa de telecomunicações Bezeq e o site Walla News, para obter cobertura favorável da mídia.

O primeiro-ministro israelense, que afirma que os julgamentos contra ele são uma "caça às bruxas" e uma conspiração do "Estado profundo", é o primeiro chefe de governo na história de Israel a ser processado enquanto exerce o cargo.

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