Escalada entre EUA e Irã faz França e Reino Unido enviarem reforços ao Oriente Médio

O presidente da França, Emmanuel Macron, e o premiê do Reino Unido, Keir Starmer durante encontro em janeiro. (Foto: LUDOVIC MARIN/EFE/EPA)

Macron anunciou ainda o envio do porta-aviões de propulsão nuclear Charles de Gaulle para a região, reforçando o efetivo militar francês já presente no Oriente Médio


Os governos da França e do Reino Unido anunciaram nesta terça-feira (3) o envio de reforços militares ao Mediterrâneo Oriental e ao Oriente Médio, em meio à escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã. As medidas incluem o deslocamento de navios de guerra, sistemas de defesa aérea e equipamentos antidrones para reforçar a segurança de bases militares e rotas estratégicas da região.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, informou que o Reino Unido enviará o destróier HMS Dragon e helicópteros com capacidade antidrone para o Chipre, onde militares britânicos mantêm bases estratégicas. De acordo com Starmer, a decisão foi tomada após uma base aérea britânica em Akrotiri ter sido alvo de um ataque com drone na madrugada desta segunda-feira (2).

"O Reino Unido está totalmente comprometido com a segurança do Chipre e dos militares britânicos ali estacionados", escreveu Starmer na rede social X, acrescentando que o envio de equipamentos faz parte das operações defensivas em andamento na região.

Segundo autoridades cipriotas citadas pela agência EFE, um drone de modelo Shahed, de fabricação iraniana, caiu na pista da base de Akrotiri, causando danos limitados. Outras duas aeronaves não tripuladas foram posteriormente interceptadas pelas defesas aéreas. O governo do Chipre atribuiu o ataque ao grupo terrorista Hezbollah, aliado do Irã.

A França também anunciou reforço militar na região. Conforme declarou o porta-voz do governo cipriota, Konstantinos Letymbiotis, Paris enviará sistemas antimísseis e antidrones, além da fragata Languedoc, para reforçar a proteção da ilha mediterrânea.

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou em pronunciamento televisionado que a França também pretende ampliar sua presença militar para proteger rotas marítimas consideradas essenciais para a economia global. Segundo ele, o governo francês lançou uma iniciativa para formar uma coalizão internacional destinada a garantir a segurança das vias marítimas, diante das ameaças do Irã sobre o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo.

Macron anunciou ainda o envio do porta-aviões de propulsão nuclear Charles de Gaulle para a região, reforçando o efetivo militar francês já presente no Oriente Médio. De acordo com o presidente, a decisão busca proteger interesses econômicos e evitar perturbações graves no mercado global de energia.

O reforço militar europeu ocorre após a escalada do conflito desencadeado por ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã, que levaram à morte do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, e intensificaram as tensões em todo o Oriente Médio.

As bases britânicas no Chipre, estabelecidas após a independência da ilha em 1960, são consideradas pontos estratégicos para operações militares no Mediterrâneo Oriental e no Oriente Médio, o que aumentou sua importância no atual cenário de guerra.

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