"Deus precisa removê-los para trazer o Messias", disse ele, "o que acredito que acontecerá iminentemente"
A guerra contra o Irã conduzida pelo Presidente Donald Trump ao lado de Israel não começou em uma sala de operações do Pentágono. Segundo o rabino Mendel Kessin, um dos pensadores da Torá mais originais e perspicazes da atualidade, o que o mundo está testemunhando agora foi escrito há milhares de anos como profecia literal. Em uma palestra publicada no YouTube na última sexta-feira, o rabino Kessin apresentou uma estrutura impressionante que conecta a atual campanha americano-israelense contra o Irã à redenção final do povo judeu, à queda de Hamã, ao papel de Donald Trump como uma figura messiânica e à iminente construção do Terceiro Templo — ainda este ano. "Quando você vê o mal repetidas vezes, e especialmente os chefes do mal caindo", disse o rabino Kessin ao público, "isso não é algo simples. Sabe o que isso significa? Significa que Satanás, que é o defensor e o motivador de todas essas pessoas, está morrendo. Ele não tem mais poder no tribunal celestial." As Quatro Klipot: Uma Estrutura do Mal tão Antiga quanto a Criação As primeiras linhas da Bíblia contêm mais do que cosmologia. Em Bereshit (Gênesis), o texto afirma: "E a terra era tohu va’vohu — sem forma e vazia, e havia trevas sobre a face do abismo" (Bereshit 1:2). O rabino Mendel Kessin, baseando-se na tradição dos Sábios, explica que esses quatro termos — tohu, vohu, trevas e o abismo — correspondem a quatro níveis distintos de klipá (casca ou invólucro), ou seja, quatro ambientes espirituais do mal que Deus incorporou à criação. O primeiro ambiente, tohu, é um mundo de bem e mal misturados — o nível mais baixo e mais mutável. O segundo, vohu, é um ambiente de mal concentrado, quase puro. O terceiro é as trevas — o mal que foi racionalizado em uma filosofia completa, uma visão de mundo que faz o dano parecer legítimo e até nobre. O quarto é a disseminação mundial dessa filosofia sombria. Essas não são categorias abstratas. O rabino Kessin as relaciona diretamente com a história. Babilônia, Pérsia, Grécia e Roma — as quatro grandes civilizações pelas quais o povo judeu passou durante o exílio — incorporam cada uma dessas quatro klipot. Na Cabala, as klipot são barreiras metafísicas que ocultam a luz divina e a santidade. Elas representam desejos egoístas, impureza e obstáculos ao crescimento espiritual. Essas camadas funcionam como cascas em torno de uma fruta, escondendo a essência interior sagrada, e frequentemente são criadas por ações humanas negativas ou egoístas. A missão judaica em cada exílio não era apenas sobreviver. Era uma demolição espiritual: observar os mandamentos de Deus mesmo sob forte oposição, extrair as centelhas ocultas de santidade presas dentro dessas civilizações e, assim, esgotar a energia espiritual desses impérios até que colapsassem. "É por isso que essas civilizações antigas não existem mais", explicou o rabino Mendel Kessin. "Porque o comportamento dos judeus dentro dessas civilizações, ao observar a vontade de Deus, as destruiu ou as enterrou." Babilônia virou pó. A Pérsia deixou de existir como potência mundial após Purim. A Grécia, que sob Alexandre dominou o mundo conhecido, hoje é um país pequeno. Roma — seja na forma bizantina ou italiana — desapareceu. O padrão, segundo ele, não é coincidência. O Irã é a última Klipá Mas a Pérsia voltou. E isso, diz o rabino Kessin, é em si um sinal. O Irã não é apenas um adversário geopolítico. No quadro interpretativo da Torá, ele seria a ressurreição da klipá da Pérsia — e mais do que isso, o último bastião de Amalek, o inimigo metafísico de Israel. O líder supremo Ali Khamenei, argumenta Kessin, seria um gilgul (reencarnação) de Hamã. A evidência que ele cita está na guematria (o valor numérico das letras hebraicas). O nome Khamenei, como é escrito no jornal israelense em hebraico Maariv — com a letra yud, que lhe dá o valor 119 — resulta exatamente no valor numérico de "ze hu Haman": "Este é Hamã". Também corresponde à guematria de "gilgul Haman" — "a reencarnação de Hamã". "Ele é um gilgul de Hamã", afirmou o rabino Mendel Kessin, "e o restante de seus mulás são ou seus filhos… ou seus seguidores". É por isso que o momento da guerra atual abalou o rabino Kessin de forma tão visível. O ataque israelense que, segundo ele, matou Khamenei ocorreu no mesmo dia em que a porção semanal da Torá ordena ao povo judeu apagar o nome de Amalek. "Enquanto os judeus em Israel estão lendo aquela parashá, aquela seção da Torá que ordena eliminar Hamã — ele está sendo destruído", disse Kessin. "Isso é uma mensagem. Deus está dizendo: quero mostrar a vocês o que estou fazendo." E então, apenas alguns dias depois, veio Purim. Trump como Gilgul de Esaú É aqui que a estrutura interpretativa do rabino Mendel Kessin se torna mais provocativa — e, para ele, mais reveladora. Esaú (Eisav em hebraico), irmão gêmeo de Jacó (Yaakov), não foi simplesmente um vilão. Segundo os Sábios, Esaú inicialmente era um homem de extraordinário potencial espiritual — Kessin o chama de "o quarto patriarca" — cuja missão era entrar no mundo onde bem e mal estão misturados e purificá-lo de sua escuridão. Ele era ish sadeh, "um homem do campo": um guerreiro contra o mal no mundo externo, complementando a missão de Jacó de preservar a Torá e a santidade. Mas Esaú caiu. Foi seduzido pelo próprio mal que deveria combater, e Satanás o dominou. A profecia em Bereshit afirma: "O mais velho servirá ao mais novo" (Bereshit 25:23). O rabino Kessin observa que o texto não diz "Esaú servirá a Jacó". Ele fala apenas em "o mais velho" e "o mais novo", usando a linguagem de fraternidade. Isso, segundo ele, é intencional. Aponta para um momento futuro de reconciliação, quando o Esaú reencarnado retornará para fazer teshuvá (arrependimento) e novamente lutar ao lado de Jacó. "O que realmente temos quando Estados Unidos e Israel lutam contra o Irã", disse Kessin, "é na verdade a restauração de dois irmãos". Na interpretação de Kessin, Donald Trump seria o gilgul (reencarnação) de Esaú — especificamente o lado positivo de Esaú, o que a tradição chama de teshuvat Eisav. Segundo ele, Deus teria salvado Trump de uma bala de um assassino por apenas alguns milímetros. "Por quê?", perguntou o rabino. "Agora vemos por quê — para derrubar o Irã." A mudança aparentemente inesperada de Trump — da política doméstica do MAGA para um foco agressivo na derrubada de regimes considerados perigosos — não seria, segundo essa leitura, uma anomalia política, mas uma missão. O rabino cita exemplos como a captura de Nicolás Maduro em uma operação de inteligência, a eliminação do chefe de cartéis no México e o ataque que decapitou a liderança iraniana. "O Satã está morrendo", disse Kessin. "Ele não tem poder no tribunal celestial. Caso contrário, como você explicaria tantos líderes dos exércitos do mal caindo?" O Ano do Messias O rabino Mendel Kessin então voltou sua atenção para o ano 5786 do calendário judaico — este ano. Na guematria, o número 786 possui o mesmo valor da expressão "yavo Mashiach" — "o Messias virá". Também corresponde à guematria da frase "gilui Shechina b'Yisrael b'Har Sinai" — "a revelação da presença divina em Israel no Monte Sinai". Ele também citou o Yalkut Shimoni, um vasto compêndio medieval de midrashim, que contém uma passagem à qual Kessin faz referência há anos. O texto afirma que, no ano em que o Messias vier, a Pérsia declarará guerra ao mundo inteiro. Edom — identificado com o Ocidente, especialmente com os Estados Unidos — reagirá e derrotará a Pérsia. Em seguida, uma voz divina, uma bat kol, ecoará do céu: "Não temam. O tempo da sua redenção chegou." "O que isso significa, de forma muito simples", disse Kessin, "é que esta é a última guerra". Ele foi enfático: um limiar já foi atravessado. A era chamada ikveta d'Meshicha — "as pegadas do Messias", o período que precede a era messiânica — teria terminado. Agora, segundo ele, o mundo entrou em atchalta d'Geulah, o início da redenção. E esse processo, uma vez iniciado, não pode ser revertido. "Não pode ser desfeito", afirmou Kessin. "Não pode ser revertido." O Terceiro Templo — Ainda Este Ano O rabino Mendel Kessin encerrou com o que talvez seja sua afirmação mais impressionante. Ele citou um comentário conhecido como Ba’al HaTurim, que observa que a palavra "v'shachanti" — "e Eu habitarei" — do versículo da Parashat Terumah, em que Deus diz "E habitarei no meio deles" (Shemot 25:8), contém codificada em si a duração tanto do Primeiro quanto do Segundo Templo. Segundo essa interpretação, as letras da palavra aludem a 410 anos (a duração do período do Primeiro Templo) e 420 anos (a duração do Segundo Templo). E qual é a guematria total de v’shachanti? 786 — o ano 5786. "Portanto, em 5786 — que é este ano — é justamente quando o Terceiro Beit HaMikdash será construído", afirmou o rabino Kessin. "Não se surpreendam se um dia vocês acordarem e, de repente, os jornais estiverem noticiando… não podemos acreditar. Existe realmente um Templo erguido no topo do Har HaBayit, o Monte do Templo." A presença divina, a Shechiná, desceria do Beit HaMikdash celestial para o templo terreno — e o mundo inteiro sentiria isso. "Isso convencerá todos da Shechiná, da presença divina e do Messias", disse Kessin. "Todos os nove bilhões de pessoas." Antes que isso aconteça, porém, Kessin afirma que ainda existe um obstáculo: aquilo que ele chama de erev rav ("multidão misturada"), que ele identifica como o governo secular de Israel, especialmente sua Suprema Corte, a qual ele acusa de bloquear ativamente a educação da Torá para cerca de 1,5 milhão de estudantes do ensino médio em Israel. "Deus precisa removê-los para trazer o Messias", disse ele, "o que acredito que acontecerá iminentemente". "Não estamos assistindo apenas a um realinhamento geopolítico. Estamos vendo a própria arquitetura da história se revelar — uma klipá de cada vez."
O novo livro do rabino Mendel Kessin, "The True Power of Speech: The Key to Both Worlds", publicado pela Feldheim, já está disponível em livrarias judaicas. A obra é a transcrição de uma palestra que ele deu em 1988 sobre lashon hara (fala prejudicial), explicando como a fala destrutiva teria impedido a reconstrução do Beit HaMikdash e atrasado a chegada do Messias.
0 Comentários