Enquanto Israel trava uma guerra existencial contra o eixo iraniano, também está enviando uma mensagem mais silenciosa: o coração bíblico não será entregue, negligenciado nem deixado exposto
Enquanto Israel luta por sua sobrevivência contra o Irã e seus aliados regionais, também está fazendo algo igualmente significativo mais perto de casa: construindo.
Nesta semana, as primeiras estruturas residenciais judaicas foram erguidas no Monte Ebal, no centro da Samaria, próximo à bíblica Siquém — a atual Nablus — marcando a primeira etapa do estabelecimento de uma nova comunidade em um dos locais mais carregados de simbolismo na Terra de Israel.
A iniciativa foi realizada pelo Conselho Regional de Samaria juntamente com o movimento Amana, após a aprovação prévia do governo israelense para a criação de uma nova comunidade no local e depois de concluídas as etapas jurisdicionais e ministeriais necessárias. Espera-se que os primeiros moradores estabeleçam uma yeshivá agrícola como extensão da yeshivá hesder de Alon Moreh, com famílias se mudando posteriormente.
O Monte Ebal não é apenas mais uma colina. É o monte mencionado em Deuteronômio como o local associado às maldições da aliança, em frente ao Monte Gerizim, onde as bênçãos foram proclamadas. Também é identificado com o Altar de Josué — o lugar onde Josué, após entrar na terra, construiu um altar ao Deus de Israel e leu a Lei diante da nação. Em termos bíblicos, este não é um território periférico. É terra de aliança.
É exatamente por isso que esse desenvolvimento é tão significativo.

Restos do que os arqueólogos acreditam ser o altar de Josué, descrito no livro de Deuteronômio | Foto de Nasser Ishtayeh/Flash90
Em uma era em que Israel é pressionado a pensar apenas em termos de cessar-fogos temporários, respostas emergenciais e imagem perante a comunidade internacional, o Monte Ebal é um lembrete de que a história judaica nesta terra não começou em 1948 e não depende de aprovação estrangeira em 2026. A batalha por Israel não é apenas militar. É civilizacional, histórica e espiritual. E essa batalha inclui decidir se a nação continuará a construir nos lugares onde sua identidade foi formada pela primeira vez.
O chefe do Conselho Regional de Samaria, Yossi Dagan, descreveu o momento como algo em que os presentes podiam "sentir as asas da história batendo". Por trás da retórica há um ponto sério: o retorno judaico a lugares como o Monte Ebal é uma restauração profética.
O local também tem uma dimensão estratégica. A nova comunidade surge próxima de uma área há muito associada a tentativas da Autoridade Palestina de danificar ou apagar um importante sítio bíblico e arqueológico.
Há também uma lição mais ampla. Mesmo enquanto Israel enfrenta um eixo iraniano determinado a cercá-lo, com ataques de mísseis e desestabilização regional, o país continua afirmando algo mais profundo do que a necessidade do campo de batalha: que a resistência nacional exige raízes. Um povo que apenas luta e não constrói, acaba esquecendo pelo que está lutando.
No Monte Ebal, Israel fez a escolha oposta.
Está lutando no presente, enquanto reivindica o futuro — em um monte onde a aliança foi proclamada no passado e onde a vida judaica agora volta a surgir.

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