"Devemos encontrar uma saída pacífica. Os conflitos não terminam por si só. Terminam quando os líderes escolhem o diálogo em vez da destruição"
O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu nesta quinta-feira aos Estados Unidos e a Israel que "ponham fim à guerra" e ao Irã que "pare de atacar seus vizinhos", horas depois de o Presidente americano, Donald Trump, afirmar que continuará atacando a república islâmica "com dureza" e que as hostilidades durarão cerca de mais três semanas.
"Minha mensagem é clara para os Estados Unidos e Israel: já é hora de parar a guerra que está causando um imenso sofrimento humano e que já está provocando consequências econômicas devastadoras. Ao Irã, que pare de atacar seus vizinhos", apelou Guterres em declaração à imprensa na entrada do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
O secretário-geral pronunciou-se hoje depois de Trump descartar, em mensagem à nação na noite de quarta-feira, que a guerra terminaria em breve.
Segundo o diplomata português, a situação está "no limite" de desencadear "uma guerra mais ampla que arrasaria todo o Oriente Médio e teria repercussões dramáticas em todo o mundo".
"O conflito já está sendo sentido em todas as partes. Quando o Estreito de Ormuz é estrangulado, os mais pobres e vulneráveis do mundo não conseguem respirar", considerou.
De acordo com a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), o bloqueio da passagem pela Guarda Revolucionária iraniana, fundamental para um quinto do petróleo mundial, causou um colapso de 95% no trânsito de navios.
Guterres assegurou que isso se reflete na "vida cotidiana das pessoas que lutam contra o aumento dos preços dos alimentos e da energia" além da região.
"Pode ser que muitos aspectos do conflito sejam incertos, mas há algo que não é: se os tambores de guerra continuarem soando, a escalada só fará piorar tudo isso", acrescentou.
O secretário-geral afirmou que "esforços diplomáticos estão sendo realizados" para encontrar uma saída pacífica para o conflito, mas pediu "espaço" e "apoio" para que resultem em sucesso.
Nesse sentido, informou que enviará à região o diplomata francês Jean Arnault, recentemente nomeado seu enviado pessoal para liderar os esforços do organismo na zona.
"Devemos encontrar uma saída pacífica. Os conflitos não terminam por si só. Terminam quando os líderes escolhem o diálogo em vez da destruição", concluiu.

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