Irã faz funeral de Khamenei 4 meses depois da morte

Ali Khamenei, líder supremo do Irã, foi morto em fevereiro | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Regime pretende usar a cerimônia, marcada para 9 de julho, como demonstração de força e continuidade política


O regime do Irã intensificou os preparativos para o enterro do líder supremo Ali Khamenei, marcado para o próximo dia 9, em Teerã, mais de quatro meses depois de sua morte. A cerimônia será acompanhada por um amplo esquema de segurança, com mobilização da milícia Basij e da Guarda Revolucionária.

O regime busca transformar o funeral em uma demonstração de unidade e força política diante da comunidade internacional. As informações são da emissora Fox News.

Khamenei morreu em 28 de fevereiro, durante a Operação Epic Fury, em um ataque direcionado dos Estados Unidos contra seu complexo em Teerã. Líder da República Islâmica por 36 anos, ele teve o sepultamento adiado por um período incomum segundo a tradição islâmica, que normalmente prevê enterros rápidos e desencoraja o embalsamamento químico.

Mojtaba Khamenei, filho do defunto líder supremo, Ali Khamenei, eleito como seu sucessor | Foto: Tehran Times
Mojtaba Khamenei, filho do defunto líder supremo, Ali Khamenei, eleito como seu sucessor | Foto: Tehran Times

De acordo com o especialista em contraterrorismo Omar Mohammed, a preservação do corpo ocorreu por meio de refrigeração, e não por embalsamamento. "O mecanismo quase certamente foi armazenamento refrigerado, não embalsamamento, já que o Islã proíbe o embalsamamento químico", afirmou à Fox News.

Segundo Mohammed, "a lei xiita permite o adiamento do sepultamento e a preservação por refrigeração em casos excepcionais, e uma autorização clerical para um líder supremo é fácil de obter", disse. Ele acrescentou que institutos médico-legais iranianos mantêm corpos armazenados durante meses, o que tornaria um intervalo de quatro meses compatível com os "padrões religiosos e legais".

O especialista também levantou dúvidas sobre as condições do corpo de Khamenei. "Pode não haver muito corpo para ser apresentado. Khamenei morreu em um ataque com munição perfurante de bunker, e outras vítimas recuperadas semanas depois foram identificadas por DNA", declarou.

Um manifestante segura um cartaz com uma imagem que retrata o Líder Supremo do Irã, o Aiatolá Ali Khamenei, e o líder nazista alemão Adolf Hitler, durante a “Marcha por um Irã Livre”, organizada pelo Comitê Iraniano para a Liberdade e o Fim do Ódio, em Londres, Grã-Bretanha, em 18 de janeiro de 2026 | Foto: Toby Melville/Reuters
Um manifestante segura um cartaz com uma imagem que retrata o Líder Supremo do Irã, o Aiatolá Ali Khamenei, e o líder nazista alemão Adolf Hitler, durante a “Marcha por um Irã Livre”, organizada pelo Comitê Iraniano para a Liberdade e o Fim do Ódio, em Londres, Grã-Bretanha, em 18 de janeiro de 2026 | Foto: Toby Melville/Reuters

A programação oficial prevê velórios públicos em Teerã no sábado e no domingo. Na próxima segunda-feira, 6, haverá um cortejo na capital iraniana, para o qual autoridades estimam a presença de 15 a 20 milhões de pessoas. No dia seguinte, outra procissão ocorrerá em Qom, um dos principais centros religiosos do islamismo xiita.

O vice-presidente para assuntos culturais e educacionais da Fundação dos Mártires e um dos organizadores do funeral, Yaqoub Soleimani, afirmou que a cerimônia será realizada "com toda a grandiosidade". Segundo ele, um público de um milhão de pessoas já seria suficiente para transformar o evento em "uma ocasião histórica" e "uma epopeia nacional na memória da República Islâmica do Irã".

Mohammed, contudo, avalia que os números divulgados pelo regime têm forte componente político. "Os números que o regime está divulgando — até 20 milhões de enlutados em Teerã, 35 milhões em todo o país, representantes de mais de 90 países e 14 mil jornalistas credenciados — não são logística. Eles são a mensagem", afirmou. "Teerã está gastando tudo o que tem para projetar continuidade e força porque, depois da guerra, ambas estão em questão."

Manifestantes derrubam monumento a Khamenei | Foto: X/Reprodução
Manifestantes derrubam monumento a Khamenei | Foto: X/Reprodução

Segundo o portal Iran International, as autoridades iranianas montaram uma ampla operação de segurança para a cerimônia. Mohammed considera que o protagonismo da Basij e da Guarda Revolucionária é um dos aspectos centrais do evento. "A Basij coordena a logística — rodovias transformadas em estacionamentos, cada distrito de Teerã responsável por receber uma província, cinco feriados públicos decretados — enquanto a Guarda controla as multidões", afirmou.

Na avaliação do pesquisador, algumas decisões adotadas pelas autoridades reforçam as dúvidas sobre o estado dos restos mortais de Khamenei. "Um regime que tem um corpo intacto não cancela a despedida, não muda repetidamente o local do enterro e não confirma que ele só poderá ser sepultado poucos dias antes da cerimônia", disse. "Isso parece menos reverência e mais restos mortais que puderam ser preservados, mas não exibidos."

O funeral também será utilizado pelo regime como manifestação política sob o slogan "Devemos Vingar". Mohammed classificou a iniciativa como "uma mobilização disfarçada de funeral".

Jovem incendeia retrato do Líder Supremo Ali Khamenei durante protestos contra o regime iraniano | Foto: Reprodução/X
Jovem incendeia retrato do Líder Supremo Ali Khamenei durante protestos contra o regime iraniano | Foto: Reprodução/X

"O mesmo aparato que organiza o luto nesta semana foi o responsável por reprimir os protestos de janeiro e negar funerais às famílias das pessoas que matou naquele período", destacou. "Os leitores norte-americanos deveriam considerar esses dois fatos simultaneamente."

Funeral de Khamenei terá poucas autoridades internacionais

Embora autoridades de alto escalão do Iraque tenham confirmado presença, a participação das principais potências será limitada. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, convidou pessoalmente o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, mas Nova Délhi enviará apenas uma delegação de nível inferior. Também foi confirmada a presença do presidente da Geórgia, Mikheil Kavelashvili.

Para Mohammed, a lista de convidados evidencia o isolamento diplomático de Teerã. "Nenhuma grande potência está enviando seu principal líder", observou. "Para um regime que afirma liderar uma frente que vai de Beirute a Sanaá, uma participação predominantemente regional no funeral de seu líder revela o isolamento por trás da pompa. Para Washington, isso mostra que a guerra deixou o eixo de Teerã menor e mais regional do que o regime anuncia."

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