Ex-ditador é o primeiro sírio a ser sentenciado por assassinatos e tortura durante a guerra civil; irmão e ex-chefe de segurança também foram condenados
Um tribunal sírio condenou o ex-presidente e ditador Bashar al-Assad à morte nesta terça-feira, 11, em um julgamento à revelia, segundo a agência Reuters. O juiz responsável aplicou a sentença depois de imputar a Assad os crimes de "assassinato premeditado e intencional de mais de uma pessoa e de crianças, tortura, prisão arbitrária e crimes contra a humanidade".
A decisão chega após quase quatro meses de processo e marca a primeira condenação imposta a Assad pela Justiça síria. Rebeldes depuseram o líder em dezembro de 2024, em uma ofensiva que encerrou décadas de poder da sua família.
As notícias da sentença percorreram Damasco rapidamente. Cidadãos se reuniram em frente ao tribunal para comemorar, cantando e agitando bandeiras do país.
احتفالات في مدينة قدسيا بريف دمشق ابتهاجاً بقرار محكمة الجنايات pic.twitter.com/bpMse2NbtO
— التلفزيون العربي (@AlarabyTV) August 11, 2026
Tribunal também condena irmão de Assad e chefe de segurança
O mesmo tribunal também condenou à morte Maher Assad, irmão do ex-presidente. Ele comandava a temida Quarta Divisão Blindada.
A unidade reprimiu protestos e recapturou territórios para o regime. Além disso, acusações indicam que ele liderou o tráfico de drogas para enriquecer o clã Assad.
🎉 Syrians celebrate in Damascus after death sentences handed down to ex-president Bashar al-Assad and former regime figures
— Anadolu English (@anadoluagency) August 11, 2026
📍 People gather outside the Palace of Justice in Damascus, expressing joy over the court ruling against the ousted leader, his brother Maher and cousin… pic.twitter.com/kTqw7aHCgv
O tribunal também aplicou a pena de morte a Atef Najib, oficial de segurança do regime em Deraa — província onde os primeiros protestos contra Assad eclodiram em 2011. As forças de segurança sírias prenderam o primo de Assad no início de 2025, e os juízes o julgaram como o único réu presente no tribunal.
Em Deraa, multidões também se reuniram para celebrar e carregaram fotos de pessoas presas ou mortas durante a guerra. Noha al-Masri, uma promotora presente na sentença, perdeu o próprio irmão em um confronto em 2011. "A decisão foi tão grande quanto os sacrifícios que os sírios fizeram por 15 anos, tão grande quanto o sofrimento das famílias", disse à Reuters.
Críticos apontam "justiça de fachada"
O novo governo sírio, liderado por islamitas, apresentou o julgamento como um sinal de que o país está priorizando a justiça transicional para se distanciar do regime de Assad. No entanto, alguns especialistas afirmam que a sentença de morte pode dificultar a repatriação do ex-presidente.
Assad, que nasceu em 1965 e assumiu a presidência em 2000, fugiu para a Rússia em dezembro de 2024, onde recebeu asilo humanitário. Ele já é alvo de um mandado de prisão na França pelo bombardeio de um centro de imprensa em Homs em 2012.
Assad, que nasceu em 1965 e assumiu a presidência em 2000, fugiu para a Rússia em dezembro de 2024, onde recebeu asilo humanitário. Ele já é alvo de um mandado de prisão na França pelo bombardeio de um centro de imprensa em Homs em 2012.

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