Brasil e outras delegações deixam plenário da ONU durante discurso de Netanyahu, que responde: 'Covardes'

O Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, durante discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas nesta quinta-feira (24) (Foto: SARAH YENESEL/EFE/EPA)

O Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, proferiu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas nesta quinta-feira (24)

Várias delegações deixaram o plenário da sede da ONU nesta quinta-feira (24) em Nova York, no começo do discurso do Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, na Assembleia Geral das Nações Unidas.

Segundo a emissora CNN Brasil, entre elas, estava a delegação brasileira. Com um sorriso, Netanyahu respondeu: "Antes de começar, apenas um breve aviso: se houver outros covardes morais que ainda não deixaram este recinto, por favor, façam-no agora. Muito obrigado".

Mais adiante no discurso, o primeiro-ministro alfinetou de novo as delegações que saíram do plenário e manifestantes do lado de fora da sede da ONU: "Onde vocês estavam quando os tiranos do Irã massacraram e mutilaram dezenas de milhares de manifestantes iranianos desarmados?".

No seu pronunciamento, o premiê agradeceu ao Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo apoio militar a Israel e chamou as Forças de Defesa israelenses (FDI) de "exército mais moral do mundo".

Um recado específico foi dado ao prefeito democrata de Nova York, o socialista Zohran Mamdani, que o acusou de ser um "criminoso de guerra" pelas ações de Israel no conflito na Faixa de Gaza, atualmente em cessar-fogo.

"Senhor Mamdani, desde que o senhor foi eleito prefeito desta cidade, muitos judeus não se sentem mais seguros em Nova York. Eles conversam comigo; dizem-me: 'Esta não é a cidade de que nos lembramos. Mudou tão rapidamente'", disse Netanyahu.

"Pois bem, não é de se admirar. O senhor elogia criminosos condenados por apoiar o Hamas. O senhor conta como amigos pessoas como Hasan Piker, que disse: 'A América mereceu o 11 de Setembro'. Belas amizades, o senhor tem", ironizou.

"O senhor convida para sua casa um jornalista palestino que filmou o terrorismo do Hamas — espancamentos e torturas de reféns israelenses — e que mais tarde admitiu ter se recusado a publicar os vídeos para proteger... adivinhe só... os terroristas. Sua esposa curtiu uma publicação que elogiava o massacre de 7 de Outubro. Ela curtiu outra publicação dizendo que Tel Aviv não deveria existir. O senhor se recusa a condenar qualquer uma dessas coisas. O senhor acusa Israel, de forma falsa e repetida, de genocídio", afirmou Netanyahu.

Na segunda-feira (21), em entrevista à emissora CNN, Mamdani havia reiterado seu argumento de que Netanyahu seria um criminoso de guerra e o pedido para que o governo Trump prendesse o premiê, com base em um mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) – que o democrata havia cogitado mandar ser cumprido em Nova York, mas depois voltou atrás, alegando não ter autoridade para isso.

Porém, além de já ter descartado anteriormente cumprir o mandado, Trump fez novamente críticas ao TPI no seu discurso na ONU na terça-feira (22), ao chamar a corte de Haia de "instituição descontrolada" e "grupo de pessoas malignas".

Além de críticas a Catar e Turquia, que acusou de apoiarem o grupo terrorista Hamas, e ao Irã, com quem os israelenses travam uma guerra desde fevereiro (atualmente em cessar-fogo), Netanyahu ironizou países europeus que tomaram ou ameaçaram tomar medidas contra Israel devido aos assentamentos judaicos na Cisjordânia.

"Estamos em uma estreita faixa de terra que equivale a cerca de um terço de 1% da extensão territorial de todo o mundo árabe. No entanto, acusaram Israel — o pequeno Israel — de colonialismo. Que tipo de colonialismo é esse? E quem nos acusa? Bem, entre eles estão pessoas no Reino Unido e na França. Pelo amor de Deus, foram eles que inventaram o termo! Suas colônias se estendiam por todo o globo. Colonialismo — poupem-nos!", disparou.

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