Ministro de Netanyahu pede que Israel reconheça as Ilhas Malvinas como 'território argentino ocupado'

Ministro da Segurança Nacional israelita, Itamar Ben-Gvir | FOTO: AP

Ministro de Netanyahu pediu que Israel reconheça as Malvinas como território argentino ocupado. Ilhas são administradas pelo Reino Unido

O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, pediu ao Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu que reconheça oficialmente a soberania da Argentina sobre as Ilhas Malvinas e passe a considerar o arquipélago administrado pelo Reino Unido como "território argentino ocupado".

Ben Gvir fez a declaração em uma publicação no X, na qual acusou os britânicos de manterem uma ocupação das ilhas e explorarem recursos naturais que, segundo ele, pertencem à Argentina. "É hora de o Estado de Israel reconhecer publicamente que as Ilhas Malvinas são território argentino ocupado, que os britânicos roubam violentamente do povo argentino", afirmou o ministro.

Ben Gvir também mencionou a exploração de petróleo nas proximidades do arquipélago. Segundo ele, os britânicos "não se contentam em ocupar o território" e realizam perfurações para retirar recursos que deveriam pertencer aos argentinos. O ministro pediu ainda que Netanyahu imponha sanções ao Reino Unido enquanto, nas palavras dele, "a ocupação continuar".

A manifestação ocorre em um momento de forte aproximação entre os governos de Javier Milei e Netanyahu. Em abril, durante visita do presidente argentino a Israel, os dois governos anunciaram os chamados Acordos de Isaac, uma iniciativa para ampliar a cooperação política e de segurança entre Israel, Argentina e outros países do Hemisfério Ocidental. Netanyahu chamou Milei na ocasião de "grande amigo do Estado de Israel".

Milei endureceu nos últimos dias o discurso sobre as Malvinas. Em pronunciamento nacional na última quinta-feira (3), o presidente argentino afirmou que as ilhas pertencem ao país “por história e por direito” e anunciou a aplicação de sanções contra empresas envolvidas na exploração de petróleo no arquipélago sob autorização britânica.

Uma das empresas atingidas pela ofensiva argentina é justamente a israelense Navitas Petroleum, que possui 65% do projeto Sea Lion, campo de petróleo localizado próximo às Malvinas. A Argentina considera ilegais as licenças concedidas pelas autoridades das ilhas e anunciou que pretende avançar judicialmente contra a companhia e suas subsidiárias. O projeto está estimado em US$ 2,2 bilhões e prevê o início da produção em 2028.

A declaração de Ben Gvir surge em meio à deterioração das relações entre Israel e o Reino Unido. O governo britânico anunciou nesta semana sanções comerciais contra produtos e empresas ligados a assentamentos israelenses na Cisjordânia. Israel reagiu ordenando o fechamento do consulado britânico em Jerusalém Oriental e adotando outras medidas contra Londres.

As Ilhas Malvinas são administradas pelo Reino Unido desde 1833, mas a Argentina mantém uma reivindicação histórica de soberania sobre o território. Os dois países travaram uma guerra pelo arquipélago em 1982, vencida pelos britânicos. A Organização das Nações Unidas reconhece a existência de uma disputa de soberania e tem reiterado pedidos para que Londres e Buenos Aires retomem negociações sobre o tema.

Até o momento, Netanyahu não anunciou uma mudança oficial da posição de Israel sobre a soberania das Malvinas em resposta ao pedido de Ben Gvir.

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