Especialista em profecias bíblicas vê Putin como Gogue e alerta que Trump enfrenta encruzilhada antes da chegada do Messias

Vladimir Putin e Donald Trump se encontram na Cúpula do G-20 de 2017, em Hamburgo

Especialista em profecias bíblicas associa Putin ao papel de Gogue e alerta que Trump enfrenta decisões cruciais em meio às tensões globais e às expectativas sobre a vinda do Messias

Se a história humana correspondesse a uma única semana, segundo uma interpretação do Zohar, a humanidade estaria vivendo agora a tarde de sexta-feira: as horas agitadas que antecedem o Shabat, quando todos correm para casa para cozinhar, limpar e deixar tudo preparado.

Para Efraim Palvanov, essa contagem regressiva final teria começado em 1989. Segundo sua interpretação das profecias judaicas, dois dos homens mais poderosos do mundo estariam agora em posições que encontram paralelos em antigas tradições bíblicas: Vladimir Putin seria uma possível representação de Gogue, o governante da terra de Magogue que ataca Israel na guerra final, enquanto Donald Trump estaria diante de uma encruzilhada. O presidente americano poderia se tornar tanto um Esaú redimido, que se une a Israel, quanto Armilo, uma figura arrogante que busca dominar o mundo e que, segundo a tradição judaica, será destruída pelo Messias.

Palvanov, diretor de uma escola secundária judaica nos Estados Unidos e responsável por um popular canal no YouTube dedicado ao misticismo e às profecias judaicas, apresentou essas interpretações em uma entrevista de quase uma hora transmitida pela JTV em 14 de outubro.

"Coisas incríveis estão acontecendo no mundo em uma velocidade impressionante", afirmou. "É realmente fascinante estudar essas fontes antigas, escritas há milhares de anos, e perceber que, quando as lemos hoje, é quase como se estivéssemos lendo as notícias."

Ao falar sobre Trump, Palvanov ressaltou que o desfecho ainda está em aberto.

"Mais uma vez, tudo isso é especulação. Acho que Trump pode seguir por caminhos muito diferentes. Ele tem livre-arbítrio para escolher qual deles deseja trilhar", declarou.

A interpretação levanta uma questão para os muitos apoiadores de Trump entre cristãos e judeus que acreditam na Bíblia: quem é Armilo e por que um estudioso que elogia o apoio do presidente americano a Israel considera a possibilidade de ele se encaixar nessa figura?

O maligno mencionado na tradição judaica

Armilo não é mencionado pelo nome em nenhum trecho da Bíblia Hebraica. Sua figura aparece na tradição judaica por meio do Targum Yonatan, uma tradução aramaica dos Profetas que associa esse personagem à profecia de Isaías sobre o Messias, o descendente de Jessé:

"Mas com justiça julgará os pobres e com equidade defenderá os mansos da terra; ferirá a terra com a vara de sua boca e com o sopro de seus lábios matará o ímpio" (Isaías 11:4).

Enquanto o texto hebraico fala simplesmente do "ímpio", o Targum identifica esse personagem como Armilo: o Messias mataria "Armilo, o ímpio". A partir dessa interpretação, desenvolveu-se uma tradição religiosa mais ampla em torno dessa figura.

Armilo ocupa lugar central em um conjunto de textos apocalípticos judaicos do início da Idade Média. Entre eles, destaca-se o Sefer Zerubbabel, escrito por volta do século VII d.C.

Nessa obra, Armilo é apresentado como uma figura romana, cujo nome provavelmente deriva de Rômulo, o lendário fundador de Roma. Ele também é descrito como descendente de Satanás.

O rabino Saadia Gaon, importante sábio judeu do século X, incorporou Armilo à sua obra filosófica Emunot v’Deot (Crenças e Opiniões). Nela, o personagem é apresentado como o inimigo que mata Mashiach ben Yosef, o Messias associado à linhagem de José, antes de ser derrotado por Mashiach ben David, o Messias final, descendente do rei Davi.

Palvanov fez questão de diferenciar Armilo de Gogue, embora as duas figuras sejam frequentemente mencionadas em discussões sobre o fim dos tempos.

"Existe outra figura com essas características, chamada Armilo, que é diferente de Gogue. Armilo é associado a Satanás e a uma força maligna e impura. Gogue, por sua vez, é mais uma figura política", explicou.

Nas fontes místicas judaicas, Armilo é relacionado à Sitra Achra, expressão que significa "o Outro Lado" e que, na Cabala, representa as forças da impureza.

"Os textos o descrevem como alguém que teria, por assim dizer, duas cabeças. Não literalmente, mas no sentido de ser uma pessoa de duas faces, que muda de comportamento e de imagem pública", explicou Palvanov. "Ele é descrito como extremamente arrogante, com um ego enorme e o desejo de dominar o mundo inteiro. Não se diz que Gogue queira governar o mundo todo. Armilo, sim."

Quedar e Catar

Palvanov afirmou que um antigo texto profético, que descreve três fases de uma guerra contra o Irã nos últimos dias, apresenta Armilo como aliado dos descendentes de Quedar.

Segundo o livro de Gênesis, Quedar foi o segundo filho de Ismael e um dos ancestrais das tribos árabes.

"Um dos filhos de Ismael foi Quedar. E o país atual, o Catar, teria seu nome diretamente ligado a Quedar", afirmou Palvanov. "O texto menciona essa conexão entre Armilo e Quedar, que eu relaciono ao Catar."

O estudioso sugeriu que Trump poderia se encaixar nessa descrição devido às suas relações com países do Oriente Médio.

"Eu sugeri que poderia ser alguém como Donald Trump, que está muito envolvido nesse mundo, nas relações com os sauditas e os catarianos, os Bnei Kedar, e que tem um ego enorme", disse.

Palvanov reconheceu que essa interpretação pode parecer contraditória, considerando o apoio de Trump a Israel.

"Mas Trump é tão pró-Israel, não é? Essa é justamente a questão de Armilo ser descrito como alguém de duas faces", argumentou. "Ele representaria o mundo ocidental e buscaria dominar o mundo, intimidando os outros."

Como exemplos, Palvanov citou a mudança do nome do Golfo do México para Golfo da América e a pressão de Trump para adquirir a Groenlândia.

"Ele quer a Groenlândia, quer isso, quer aquilo. Por isso, Donald Trump parece se encaixar muito bem nessa descrição. Mas, novamente, tudo isso é especulação", ressalvou.

O lado bom de Esaú

Durante a entrevista, o apresentador apresentou uma interpretação bastante diferente sobre Trump, defendida pelo rabino Mendel Kessin, conhecido por suas aulas sobre escatologia judaica.

Há cerca de uma década, Kessin sustenta que Trump seria a reencarnação de Esaú, que retornaria no fim dos tempos para corrigir os erros de seu ancestral e se unir a Israel na luta contra o mal.

"Eu disse algo semelhante", respondeu Palvanov. "Acredito que Trump tem potencial para seguir por caminhos muito diferentes."

Na interpretação de Kessin, Putin e Trump também podem ser associados a diferentes aspectos de uma mesma linhagem bíblica.

Em uma palestra divulgada pelo Israel365 News, Kessin ensinou que Esaú, ancestral de Edom e associado a Roma na tradição judaica, teria se manifestado de três maneiras distintas ao longo da história cristã: sua arrogância teria se expressado na Rússia comunista, sua falsidade na Europa e sua busca pelo prazer nos Estados Unidos.

Segundo essa interpretação, entre os três, apenas o ramo americano teria potencial para reparar os erros do passado.

"Donald Trump é esse homem, essa parte de Esaú", afirmou Kessin, relacionando o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, durante o primeiro mandato de Trump, ao cumprimento desse papel bíblico.

Na leitura do rabino, a tradição dos Sábios segundo a qual a cabeça de Esaú estaria enterrada na Caverna dos Patriarcas, em Hebron, indicaria que existe uma dimensão sagrada em Esaú. Para Kessin, os Estados Unidos representariam simbolicamente essa parte.

O próprio rabino, porém, alertou que essa possível restauração está longe de ser garantida.

Durante anos, Kessin descreveu Trump como tov she'b'Eisav, expressão que significa "o lado bom de Esaú", e o identificou como um gilgul, ou reencarnação, do imperador romano Antonino, apresentado na tradição judaica como um governante gentio justo e amigo do rabino Yehuda HaNasi, responsável pela compilação da Mishná.

No início deste ano, entretanto, Kessin disse a seus alunos, conforme relatado pelo Israel365 News, que algo parecia ter saído do rumo esperado.

"De repente, Trump não está fazendo o trabalho dele, o que é surpreendente", declarou, criticando o presidente por não ter concluído o confronto com o Irã.

Kessin comparou a situação à do faraó, que exerceu seu livre-arbítrio durante as cinco primeiras pragas do Egito antes que Deus endurecesse seu coração. O rabino chegou a questionar se algo semelhante estaria acontecendo com Trump.

Palvanov descreveu o presidente americano como alguém pressionado por duas correntes políticas opostas.

"Acho que ele está sendo pressionado pelos dois lados. De um lado, há o grupo de Tucker Carlson, que é muito crítico de Israel. Algumas pessoas dizem que JD Vance parece ser mais próximo de Carlson e também mais crítico de Israel. Do outro lado, temos Marco Rubio e aqueles que são fortemente pró-Israel, incluindo os cristãos evangélicos", afirmou.

Segundo Palvanov, a comunidade cristã americana também está dividida.

"Hoje existem duas posições opostas no mundo cristão americano. De um lado, há uma extrema direita profundamente anti-Israel, que considera Israel a raiz de todo o mal. Do outro, há aqueles que veem Israel como o cumprimento de uma profecia e acreditam que devemos trabalhar juntos porque temos um inimigo em comum: o Islã", disse.

"Cabe a Trump decidir de que lado ficará e quais serão as consequências dessa escolha para o futuro próximo", acrescentou.

O entrevistador também mencionou que Kessin interpreta as tentativas de assassinato contra Trump como advertências divinas. Segundo essa leitura, o presidente deveria evitar a busca por prêmios de paz superficiais e não hesitar diante da possibilidade de um golpe decisivo contra o regime iraniano.

A tensão entre essas duas interpretações sobre Trump ganhou destaque nas notícias na mesma semana em que a entrevista foi ao ar.

Em 16 de outubro, Trump assinou uma ordem executiva suspendendo sanções contra a Rússia, de acordo com a recém-aprovada Lei Lindsey O. Graham de Sanções à Rússia e ao Irã, após um acordo que permitiu a Moscou retomar as exportações de diesel para os mercados internacionais.

Senadores haviam alertado que essas receitas poderiam ajudar a Rússia a ampliar sua cooperação em segurança com o Irã.

Putin como Gogue

Ao falar sobre Gogue, Palvanov foi muito mais categórico.

A profecia de Ezequiel sobre a guerra final começa com uma referência geográfica:

"Filho do homem, dirige o teu rosto contra Gogue, da terra de Magogue, príncipe e chefe de Meseque e Tubal, e profetiza contra ele" (Ezequiel 38:2).

"Não sabemos muito sobre Gogue nem exatamente quem ele é", afirmou Palvanov. "O texto o chama de Nasi Rosh, que pode ser entendido como um governante ou líder. Ele é apresentado como chefe de Meseque e Tubal, possivelmente uma potência do Leste Europeu. Também é associado à terra de Magogue."

Segundo o estudioso, fontes antigas identificam Magogue com a Cítia, região histórica que abrangia áreas que hoje correspondem ao sul da Rússia, ao Cáucaso, à Crimeia e a partes da Ucrânia.

Três versículos depois, Ezequiel apresenta os aliados de Gogue, colocando a Pérsia entre eles:

"Pérsia, Cuxe e Pute estavam com eles; todos com escudo e capacete" (Ezequiel 38:5).

"Voltando a uma profecia registrada há cerca de 2.500 anos, encontramos uma referência ao papel ativo do Irã nos acontecimentos do fim dos tempos e à sua participação em uma guerra contra Israel", afirmou Palvanov. "Essas interpretações também aparecem em tradições do Midrash e do Talmude, anteriores ao surgimento do Islã."

Ele destacou a parceria entre Irã e Rússia como um dos elementos que, em sua interpretação, aproximariam os acontecimentos atuais das antigas profecias.

"Isso está nas notícias até hoje. Os dois países acabaram de assinar um novo acordo e fornecem foguetes e drones um ao outro", disse.

A aproximação entre Moscou e Teerã inclui acordos de cooperação estratégica, militar, tecnológica e nuclear. Em janeiro de 2025, Vladimir Putin e o presidente iraniano Masoud Pezeshkian assinaram, no Kremlin, um tratado de parceria estratégica de 20 anos.

O documento prevê cooperação em diversas áreas, incluindo defesa, compartilhamento de informações e compromissos de assistência em determinadas circunstâncias. O tratado entrou em vigor em 2 de outubro de 2025.

Em dezembro daquele ano, os ministros das Relações Exteriores dos dois países assinaram um programa conjunto de consultas para o período de 2026 a 2028.

Em junho de 2026, Teerã e Moscou também assinaram um acordo de cooperação nuclear de US$ 25 bilhões com a estatal russa Rosatom, enquanto o Irã mantinha negociações com Washington sobre seu programa nuclear.

Para Palvanov, Gogue seria um personagem essencialmente político, movido por interesses estratégicos e econômicos.

Ele observou ainda que outro personagem chamado Gogue aparece na Bíblia Hebraica como descendente de Rúben, uma das tribos de Israel.

"É uma questão política. Ele é uma figura que, por razões políticas e econômicas, acaba atacando Israel", afirmou.

O gasoduto e o ataque de 7 de outubro

Na interpretação de Palvanov, os interesses econômicos ajudam a explicar por que Putin poderia se beneficiar dos acontecimentos que antecederam o ataque de 7 de outubro de 2023.

"Nos dias anteriores ao 7 de outubro, uma das notícias mais comentadas era a possibilidade de Israel e Arábia Saudita firmarem um acordo de paz”, disse. “Esse acordo também envolvia um corredor energético, com a possibilidade de transportar recursos da Arábia Saudita, passando por Israel e pelo Mediterrâneo, até a Europa. Vladimir Putin não gostaria disso, porque o petróleo e o gás são algumas de suas principais fontes de receita."

O projeto de integração econômica mencionado por Palvanov realmente existia. Em setembro de 2023, durante a cúpula do G20 em Nova Déli, Estados Unidos, Índia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e União Europeia apresentaram o Corredor Econômico Índia–Oriente Médio–Europa, conhecido como IMEC.

A iniciativa previa conectar a Índia à Europa por meio de rotas marítimas e ferroviárias que atravessariam a Península Arábica, com o porto israelense de Haifa como uma das principais portas de entrada para o Mediterrâneo. Os planos também incluíam infraestrutura para o transporte de hidrogênio produzido na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos.

O então presidente americano Joe Biden descreveu uma rota que ligaria Riad a Israel e seguiria em direção à Grécia, com potencial para incluir conexões energéticas com a Europa. Biden também relacionou o ataque de 7 de outubro à pressão pela integração regional de Israel.

Romana Vlahutin, ex-enviada especial da União Europeia para conectividade, afirmou que o projeto despertava preocupação no Irã, na China, na Rússia e na Turquia.

Um mês após o anúncio do corredor, o Hamas lançou seu ataque contra o sul de Israel. O projeto de integração regional perdeu impulso e, segundo relatos citados na matéria original, a Arábia Saudita passou a avaliar uma possível rota pela Síria que excluiria Israel.

Para Palvanov, os acontecimentos favoreceram os interesses russos.

"O 7 de outubro foi perfeito para ele", afirmou. "O ataque acabou com o acordo de paz entre Israel e Arábia Saudita e interrompeu aquele projeto de corredor energético. A Rússia continuou mantendo influência sobre o mercado de petróleo e gás, enquanto a atenção internacional deixou de se concentrar tanto na guerra da Ucrânia."

"Depois do 7 de outubro, Israel voltou a ser retratado como o vilão", continuou. "Os campi universitários passaram a ser palco de protestos contra Israel, bilhões de dólares começaram a ser direcionados para Gaza e a Ucrânia, com Zelensky, passou a disputar espaço na atenção internacional."

Palvanov também destacou a aproximação entre Moscou e o Hamas logo após o ataque.

"Poucos dias depois do 7 de outubro, Putin já estava recebendo representantes do Hamas na Rússia. E, naturalmente, a Rússia não classifica o Hamas como uma organização terrorista, ao contrário de grande parte do Ocidente", declarou.

Em 26 de outubro de 2023, menos de três semanas após o massacre, uma delegação do Hamas liderada por Moussa Abu Marzouk, integrante de alto escalão do grupo, chegou a Moscou a convite do Kremlin.

Na mesma ocasião, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Ali Bagheri Kani, também estava na capital russa e se reuniu com representantes do Hamas. O grupo divulgou um comunicado elogiando os esforços de Putin.

O Ministério das Relações Exteriores de Israel exigiu que a Rússia expulsasse imediatamente os integrantes do Hamas, classificando o convite como uma atitude que conferia legitimidade ao grupo e incentivava o terrorismo.

Palvanov acrescentou outro acontecimento que, em sua interpretação, reforçaria a relação entre os interesses russos e os desdobramentos regionais: a queda do regime de Bashar al-Assad na Síria.

"Logo depois, o regime de Assad entrou em colapso. E para onde Assad foi? Fugiu para a Rússia", afirmou.

Em dezembro de 2024, quando os rebeldes chegaram a Damasco, Assad seguiu para Moscou. O Kremlin informou que Putin havia decidido pessoalmente conceder asilo a ele e à sua família.

Por fim, Palvanov mencionou uma coincidência que considera significativa: o ataque de 7 de outubro ocorreu no aniversário de Vladimir Putin.

"É interessante observar que 7 de outubro é o aniversário de Putin. Quem sabe? Talvez exista alguma conexão. Acho muito possível que seja ele, porque tinha muito a ganhar com aqueles acontecimentos e porque se encaixa na região europeia associada a Magogue. Todos esses detalhes parecem se encaixar", afirmou.

Pérsia contra Arábia

Palvanov também sustentou que o conflito envolvendo o Irã e os países do Golfo encontra paralelos em antigas fontes judaicas.

Ele citou uma passagem do Midrash atribuída ao rabino Shimon bar Yochai, segundo a qual a presença de cavalos persas na Terra de Israel seria um sinal da proximidade da vinda do Messias.

Também mencionou uma profecia preservada no Yalkut Shimoni, uma coletânea medieval de interpretações bíblicas. Segundo o texto, no ano em que o Messias fosse revelado, o rei da Pérsia provocaria o rei da Arábia.

"No ano em que o Messias vier, haverá um conflito entre o Irã e o mundo inteiro, e o Irã, de alguma forma, colocará o mundo de joelhos", afirmou Palvanov. "Talvez isso se refira ao petróleo, ao Estreito de Ormuz, à economia, além do terrorismo e do próprio conflito militar."

Ele também relacionou a tradição aos ataques iranianos contra países árabes.

"O texto diz que o Irã entrará em guerra com a Arábia, e estamos vendo algo semelhante acontecer agora. O Irã está lançando mísseis contra seus vizinhos árabes, em alguns casos com intensidade ainda maior do que contra Israel. Também fornece armamentos aos houthis, que atacam a Arábia Saudita. Há ataques contra aeroportos sauditas, e a situação está se agravando", disse.

Segundo os dados citados na matéria original, depois que Estados Unidos e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro de 2026, dando início à guerra que resultou na morte do líder supremo Ali Khamenei, Teerã retaliou contra vários países da região, incluindo Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Bahrein, Catar e Omã.

O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos informou que o Irã havia lançado 550 mísseis balísticos e mais de 2.200 drones contra o país. A Arábia Saudita também teria realizado ataques retaliatórios em território iraniano no final de março.

Naquele mês de outubro, os houthis, grupo armado iemenita apoiado pelo Irã, também teriam intensificado os ataques contra a aviação civil saudita.

A coalizão liderada pela Arábia Saudita afirmou que o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, havia sido alvo de 20 ataques houthis desde o início de outubro. Segundo os números apresentados no texto original, os ataques deixaram 17 mortos e 333 feridos entre os dias 7 e 11 de outubro.

Somente o ataque de 10 de outubro teria provocado 12 mortes e mais de 300 feridos, tornando-se o episódio mais mortal em território saudita em mais de uma década. O chefe do escritório de mídia houthi declarou que o grupo havia "paralisado o aeroporto internacional de Riad".

Para Palvanov, o desfecho desses conflitos estaria relacionado à redenção messiânica.

"Ao final desse conflito, o Messias surgirá para Israel e para o mundo inteiro. Afinal, a era messiânica não será apenas para Israel, mas para toda a humanidade. Será uma época de paz e prosperidade para o planeta inteiro", afirmou.

O cavalo e o mar

Palvanov também apontou uma conexão numérica entre uma passagem da Torá e a antiga Pérsia.

A palavra Beshalach, nome da porção semanal da Torá que narra a travessia do Mar Vermelho pelos israelitas, teria valor numérico de 340 na tradição da guematria, método judaico que atribui valores numéricos às letras hebraicas. O mesmo valor seria encontrado em Paras, palavra hebraica associada à Pérsia.

"Ao longo do Tanakh, encontramos o cavalo como símbolo do poder militar opressor, seja entre gregos, romanos ou egípcios", afirmou. "Na passagem do Mar Vermelho, a palavra cavalo aparece muito mais vezes do que em qualquer outro trecho da Torá."

O Cântico do Mar começa com a expressão hebraica az yashir Moshe, geralmente traduzida como "Então Moisés cantou". Palvanov destacou que, literalmente, a construção pode ser entendida como "então Moisés cantará", no futuro.

"Nossos sábios dizem que isso pode ser interpretado como uma visão do futuro, a queda do último cavalo", afirmou.

Ele acrescentou outra associação simbólica: "Por coincidência, estamos no ano do Cavalo, segundo o zodíaco chinês".

A contagem regressiva começou em 1989

Palvanov baseia sua interpretação do calendário profético em uma passagem do Zohar, importante obra da tradição mística judaica.

Segundo essa leitura, os seis dias da criação correspondem a seis mil anos da história humana. O calendário judaico entrou recentemente no ano de 5787.

"A primeira palavra da Torá é Bereshit, que pode ser interpretada, em aramaico, como bara shit: 'Ele criou seis'. Além disso, a letra álef aparece seis vezes no primeiro versículo da Torá. Em hebraico, álef também representa o número mil", explicou.

Na interpretação apresentada por Palvanov, o Zohar estabelece um período final de preparação para a chegada do Messias, comparável às últimas horas da sexta-feira antes do Shabat.

"Se fizermos as contas, seis horas correspondem a um quarto de dia. Aplicando essa proporção ao período de mil anos, chegamos a 250 anos. Isso nos leva ao ano judaico de 5750, iniciado em setembro de 1989. O Zohar descreve esse período como o momento em que as pessoas vão buscar água pela última vez antes do Shabat", afirmou.

Palvanov relacionou essa data a uma série de acontecimentos históricos e avanços tecnológicos.

"Poucas semanas depois, o Muro de Berlim caiu, a União Soviética entrou em colapso e a Guerra Fria chegou ao fim", disse.

Ele também mencionou o nascimento da World Wide Web, a descoberta de uma substância descrita como óleo de unção antigo no deserto da Judeia, o lançamento dos primeiros satélites do sistema GPS e o início do Projeto Genoma Humano, que contribuiu para o desenvolvimento da biotecnologia.

Segundo ele, essa evolução tecnológica também abriu caminho para avanços que mais tarde permitiriam o desenvolvimento de tecnologias associadas à inteligência artificial e à pandemia de COVID-19.

Palvanov acrescentou que, naquele mesmo ano, Ali Khamenei assumiu o poder no Irã e a República Islâmica iniciou seu programa nuclear em cooperação com a Rússia.

"Basicamente, tudo o que vemos no mundo hoje — a guerra com o Irã, o período pós-pandemia, a biotecnologia e a inteligência artificial — começou no final de 1989, exatamente como o Zohar teria previsto", declarou.

As 140 nações

Outra referência apresentada por Palvanov vem de uma tradição do Midrash segundo a qual 140 nações se reuniriam em Israel nos últimos dias.

"Há dois mil anos, quando essa profecia foi formulada, seria muito difícil imaginar 140 nações diferentes enviando tropas para Israel”, afirmou. “Hoje, porém, basta observar as forças de paz das Nações Unidas e quantos países fornecem algum tipo de pessoal. São cerca de 140."

Dados da ONU dos últimos anos, entretanto, apontam que o número de países que contribuem com tropas e policiais para missões de paz costuma ficar entre 120 e 125.

Para Palvanov, a presença internacional relacionada à situação em Gaza pode ser interpretada à luz dessa tradição.

"Não se trata mais de perguntar se isso vai acontecer. Já estamos envolvidos. Existe uma força internacional com tropas em solo israelense, em Kiryat Gat. Há um centro de comando e pessoas de diferentes partes do mundo", afirmou.

O Comando Central dos Estados Unidos inaugurou o Centro de Coordenação Civil-Militar em Kiryat Gat em 17 de outubro de 2025, com a missão de supervisionar o cessar-fogo em Gaza.

Em aproximadamente um mês, quase 50 países e organizações estavam envolvidos no esforço. Jornalistas da Associated Press registraram no local a presença de pessoal associado a países como Chipre, Grécia, França, Alemanha, Austrália e Canadá.

A emissora israelense Channel 12 também informou que Grécia, Marrocos, Indonésia, Kosovo, Cazaquistão e Albânia haviam demonstrado interesse em participar de uma Força Internacional de Estabilização para Gaza. Geórgia e Vietnã estariam em negociações para se juntar à iniciativa.

O maior sinal

Apesar de dedicar boa parte de sua análise às guerras e aos conflitos internacionais, Palvanov afirmou que o sinal mais evidente da proximidade da redenção não estaria necessariamente nos campos de batalha, mas no crescimento da produção agrícola em Israel.

Ele citou uma passagem do Talmude, no tratado Sanhedrin, segundo a qual não haveria sinal mais claro do fim dos tempos do que a Terra de Israel voltando a produzir seus frutos.

"É impressionante o que vemos hoje. Produtos israelenses podem ser encontrados praticamente em qualquer lugar do mundo, na Austrália, nos Estados Unidos e na Inglaterra. Isso nunca aconteceu dessa maneira ao longo da história", afirmou.

Palvanov também mencionou relatos de Mark Twain e Ulysses S. Grant, que descreveram a região como árida durante suas visitas no século XIX.

"Ambos retrataram Israel como uma terra seca, desolada, quase amaldiçoada", disse. "Nos últimos dois mil anos, nenhuma outra nação conseguiu estabelecer um Estado ou reino duradouro e bem-sucedido na Terra Santa. Nem os cruzados, nem Saladino, nem os muçulmanos, nem os turcos."

O estudioso, entretanto, ressaltou que as profecias negativas não precisam necessariamente se cumprir.

"Existe um princípio no judaísmo segundo o qual as profecias negativas podem não se concretizar. Elas são dadas como advertências, enquanto as profecias positivas se cumprirão", explicou.

Como exemplo, citou a cidade de Nínive, cujos habitantes se arrependeram após a advertência do profeta Jonas e, por isso, foram poupados.

Ele também mencionou uma interpretação rabínica que relaciona a visão de Daniel sobre o Messias chegando nas nuvens do céu à profecia de Zacarias sobre um rei humilde, montado em um jumento. Segundo essa tradição, se Israel for considerado digno, a redenção virá de maneira rápida e tranquila; caso contrário, chegará em meio a dificuldades.

"Não queremos guerra. Não precisamos de guerra. Se líderes pecadores nos conduzirem por esse caminho, é isso que poderá acontecer. Mas não é inevitável. Existe uma maneira melhor de fazer as coisas", afirmou Palvanov.

O futuro ainda depende das escolhas humanas

No fim, a interpretação de Palvanov deixa a variável decisiva nas mãos dos próprios seres humanos.

Em sua leitura das profecias, Putin já teria demonstrado de que lado está ao receber representantes do Hamas na Rússia poucas semanas depois do massacre de 7 de outubro.

Trump, por outro lado, ainda estaria diante de uma escolha. O mesmo presidente que um rabino interpreta como uma possível representação do Esaú redimido é visto por outro estudioso como alguém que poderia se aproximar de Armilo, a figura associada ao inimigo do Messias.

Para Palvanov, o rumo que Trump seguirá ainda não está definido. Suas decisões políticas poderão determinar como ele será interpretado dentro dessa leitura profética.

Enquanto isso, permanece a imagem que dá sentido a toda a análise: a humanidade vivendo a tarde de sexta-feira, com o relógio avançando e as horas de preparação para o Shabat se aproximando.

É nessa contagem regressiva simbólica que Palvanov situa os acontecimentos atuais — uma interpretação religiosa que conecta conflitos internacionais, alianças políticas e transformações históricas às antigas tradições judaicas sobre a vinda do Messias.

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