Putin diz 'preferir' Biden como presidente dos EUA e lamenta não ter começado a guerra antes

Líder da Rússia, Vladimir Putin | EFE/EPA/SERGEY GUNEEV/SPUTNIK/KREMLIN POOL

Putin fez estes comentários depois de conceder uma entrevista na semana passada ao jornalista americano Tucker Carlson

O líder da Rússia, Vladimir Putin, afirmou na noite de quarta-feira que prefere o atual inquilino da Casa Branca, Joe Biden, a Donald Trump como presidente dos Estados Unidos.

"Biden. Ele é uma pessoa com mais experiência, previsível, um político da velha escola", respondeu o chefe do Kremlin durante uma entrevista concedida a Pavel Zarubin, um conhecido apresentador da televisão pública russa.

Putin fez estes comentários depois de conceder uma entrevista na semana passada ao jornalista americano Tucker Carlson, considerado um porta-estandarte do "trumpismo".

"Mas vamos trabalhar com qualquer líder dos EUA em quem o povo americano deposite sua confiança", salientou.

Defesa de Biden

Putin também defendeu Biden diante das especulações sobre seu estado de saúde e lembrou que quando se encontraram pela última vez, em junho de 2021, em Genebra, "já diziam que ele era incapaz" de cumprir suas funções.

"Eu não vi nada disso. Bem, sim, ele olhou para o papel dele e, para ser sincero, eu olhei para o meu. E o fato de que uma vez, quando saiu do helicóptero, ele bateu a cabeça, o que há de errado? Nós não batemos a cabeça? Aquele que está livre de pecados que atire a primeira pedra", declarou Putin.

Nesse sentido, vinculou essas críticas a Biden ao fato de que "nos Estados Unidos a campanha política interna, a campanha eleitoral, está ganhando força".

"Isto está assumindo formas cada vez mais agudas. Na minha opinião, não é correto interferirmos nesse processo", disse Putin, que há algumas semanas acusou Biden de vencer as eleições de 2020 de forma fraudulenta através da manipulação do voto pelo correio.

O líder russo frisou que Moscou não deve concentrar-se na saúde do seu homólogo americano, mas na "posição política" da sua Administração, que considerou "perniciosa e errônea".

"Elogio" a Trump

Em alusão aos receios de que Trump regresse à Casa Branca, Putin destacou que o ex-presidente dos EUA "sempre foi considerado um político fora do sistema".

"Ele tem o seu próprio ponto de vista sobre como os EUA deveriam desenvolver relações com os seus aliados", comentou.

Putin lembrou, por exemplo, que Trump renunciou ao Protocolo de Kyoto na tentativa de fazer os europeus compreenderem que devem aumentar os gastos com Defesa em troca do "guarda-chuva atômico" dos EUA.

"Certamente, do ponto de vista deles, existe algum tipo de lógica", afirmou, acrescentando que a OTAN é "um instrumento da política externa dos EUA".

Trump reagiu rapidamente e, ao contrário do que seria de esperar, considerou o fato de Putin preferir Biden como "uma coisa boa".

"Na verdade, Putin acaba de me fazer um grande elogio. Ele disse que prefere Biden como presidente. É um elogio", destacou o republicano durante um evento eleitoral na Carolina do Sul, segundo a emissora ABC.

Além disso, alertou que Putin quer que Biden permaneça na Casa Branca porque isso lhe permitirá ficar com a Ucrânia, uma guerra que, argumentou, nunca teria começado com ele no poder.

Comentários sobre a guerra

Em resposta às críticas ocidentais à entrevista com Carlson, Putin ressaltou que nunca disse que a campanha militar na Ucrânia era uma resposta à ameaça de um ataque da OTAN à Rússia.

"A única coisa que podemos lamentar é não termos iniciado as ações militares mais cedo, pensando que estávamos lidando com pessoas decentes", declarou.

Além de lembrar que a responsabilidade recai sobre Kiev pelo incumprimento dos acordos de paz e pelos ataques ininterruptos durante oito anos contra os territórios pró-russos, salientou que a Rússia não iniciou a guerra e apenas quer acabar com ela.

"Na primeira fase tentamos fazê-lo por meios pacíficos, com a ajuda dos Acordos de Minsk", argumentou.

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