AP apresenta novo premiê para tentar formar governo e retomar o controle de Gaza

Mahmoud Abbas, líder da Autoridade Palestina, à esquerda, com o novo primeiro-ministro, Muhammad Mustafa, em uma foto fornecida pela autoridade nesta quinta-feira (14) | Crédito: Escritório de Imprensa da Autoridade Palestina, via Agence France-Presse

A medida faz parte dos esforços de Abbas para reformar a AP com um governo tecnocrático que possa assumir o controle da Faixa de Gaza


O líder
 da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas, nomeou nesta quinta-feira (14) o economista Muhamad Mustafa como primeiro-ministro da entidade e o encarregou de formar um novo governo após a renúncia do anterior, há duas semanas.

"O líder da AP, Mahmoud Abbas, nomeou na noite de quinta-feira o Dr. Muhamad Mustafa para formar o 19º governo, dentro do prazo previsto na Lei Básica alterada de 2003 e suas emendas", informou a agência de notícias oficial palestina Wafa.

A medida faz parte dos esforços de Abbas para reformar a AP com um governo tecnocrático que possa assumir o controle da Faixa de Gaza quando a guerra terminar, algo que está nos planos dos Estados Unidos para o futuro do território, mas não nos do Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

Apelando para a "reconciliação nacional", o ainda primeiro-ministro interino, Mohamed Shtayeh, apresentou a demissão de todo seu governo em 26 de fevereiro "à luz dos acontecimentos políticos, de segurança e econômicos relacionados à agressão na Faixa de Gaza e à escalada sem precedentes na Cisjordânia".

A escolha de Mustafa, 69 anos, era a aposta mais certa, um perfil que agradava aos EUA, um economista com doutorado pela americana Universidade George Washington, que ocupou cargos de chefia no Banco Mundial e tem boas relações com autoridades dos EUA, além de ser um confidente próximo de Abbas.

Desde 2005, ele é presidente do Fundo de Investimento da Palestina e, no passado, atuou como conselheiro econômico de Abbas, ministro das finanças e até mesmo vice-primeiro-ministro de um governo de unidade nacional de curta duração formado em 2014 para reconstruir a Faixa de Gaza após a guerra daquele ano, portanto, ele pode ser uma figura aceitável para o Hamas.

Ele também faz parte do Comitê Executivo da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) desde 2022.

Mustafa tem consultado possíveis membros do gabinete nas últimas semanas e espera-se que escolha um grupo de tecnocratas não afiliados ao partido Fatah, do líder Abbas, que historicamente dominou a AP e governa em pequenas partes da Cisjordânia, de acordo com a imprensa palestina.

O novo governo permanecerá sob o controle de Abbas, de 88 anos, que tem saúde frágil, é acusado de ser autoritário e corrupto e não vai às urnas desde 2005, com sua popularidade despencando em todas as pesquisas.

Em dezembro de 2023, 60% dos palestinos apoiaram a dissolução da AP e 92% apoiaram a renúncia de Abbas, de acordo com uma pesquisa do Palestinian Center for Policy and Survey Research.

O apoio ao Hamas subiu para 60% na Cisjordânia, onde 16% da população optou por um governo de unidade sem Abbas, 7% pela manutenção da AP em seu estado atual e apenas 3% pela fórmula que está tomando forma com a imposição dos EUA: um governo de coesão nacional com Abbas à frente.

Israel apresentou seu plano pós-guerra para Gaza em fevereiro, que prevê o controle de segurança israelense mas cede o controle civil do enclave para "palestinos distantes de entidades que apoiam o terrorismo", fechando a porta para o Hamas.

Netanyahu se opõe tanto ao retorno da AP à Faixa de Gaza quanto à possibilidade de um Estado palestino, ao contrário da posição defendida por EUA e União Europeia.

A AP governou a Faixa de Gaza até 2007, quando o Hamas tomou o poder à força no território depois que as tentativas de um governo de unidade nacional com o Fatah fracassaram, após a vitória do grupo islâmico nas eleições de 2006.

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