Paralisados pelo medo: os EUA ficaram chocados com ação de Trump – e Netanyahu permaneceu em silêncio à margem | Shlomo Shamir

Benjamim Netanyahu | Foto: Aloni Mor, Flash 90

Nenhum presidente — democrata ou republicano — que ocupou a Casa Branca nos últimos cinquenta anos prejudicou o status de Israel como potência regional, nem questionou sua presença influente na região

Não há chance de que uma iniciativa desse tipo, que investigue os responsáveis e culpados, não leve Israel a uma queda sem precedentes na história do país — uma queda em seu status regional, tornando-a alvo de zombaria nas capitais de grandes potências e países centrais, e desprezada na arena internacional, em uma escala e intensidade jamais vistas. É evidente que há responsáveis e culpados.

Há também um fator político cuja função é investigar e examinar como um país considerado uma história de sucesso sem paralelo na história transformou-se em um saco de pancadas e alvo de condenações até mesmo por parte daqueles que são considerados amigos. Esse fator é, naturalmente, o primeiro-ministro. Mas Benjamin Netanyahu, que compreende e está mais consciente do que qualquer outro político em Israel sobre a situação degradada do país no mundo, permanece em silêncio. Não é um silêncio retumbante, mas um silêncio que nasce do medo, da ansiedade pelo seu destino e pelo seu futuro.

"Os EUA estão em choque com o romance político entre Trump e Mamdani". 
Mas em Israel, não se vê qualquer sinal de que o episódio tenha causado espanto. Pelo contrário: a legitimação que o Presidente Trump concedeu a Mamdani — o novo prefeito eleito de Nova York, que não se arrepende nem recua de suas declarações anti-Israel — simplesmente não incomoda ninguém no país.

A congressista republicana Elise Stefanik, uma influente política conhecida por seu apoio a Trump, não hesitou nem por um momento e divulgou uma forte declaração contra o presidente.

Por parte do primeiro-ministro de Israel, não houve qualquer reação ao encontro de Trump com Mamdani, um muçulmano que, pelos próximos quatro anos, comandará a cidade com a maior população judaica fora de Israel — e que chegou a ameaçar processar Netanyahu caso ele visite Nova York.

Nenhum presidente — democrata ou republicano — que ocupou a Casa Branca nos últimos cinquenta anos prejudicou tanto o status de Israel como potência regional, questionou sua influência no Oriente Médio, arranhou sua reputação como bastião da democracia ocidental ou ridicularizou e humilhou publicamente seu primeiro-ministro como Donald Trump fez em seu primeiro ano de mandato — e, mais precisamente, nas últimas semanas.

Sim, Trump é amigo de Israel. O que em Israel não percebem — ou preferem ignorar — é o fato de que Trump ama Israel: o Israel que ele quer, o Israel com cuja realidade ele se sente confortável e o Israel que serve aos seus interesses na arena internacional.

Um veterano e respeitado líder judeu da comunidade afirmou há algumas semanas:

"O Presidente Trump não transformou Israel no 51º estado dos EUA. Trump transformou Israel em uma colônia americana."

O alto funcionário, que em seu cargo anterior como chefe de uma importante organização judaica entrava e saía da Casa Branca, explica:

"É por isso que o Presidente Trump não tem qualquer problema ou hesitação em incluir, pela primeira vez, a ideia de um Estado palestino em seus planos para o futuro do Oriente Médio."

A ironia, acrescenta ele, é que "isso está acontecendo justamente quando Israel é governado por um governo de extrema direita, que considera para si mesmo patriótico e nacionalista".

No eixo das relações entre Israel e os Estados Unidos há dois explosivos prestes a detonar:

– a amizade de Trump por Israel — o 'seu' Israel, tal como ele o quer e o enxerga;

– e o fato de que ele permanecerá na Casa Branca por mais três anos.

O problema — e o perigo — é que no topo da política israelense, nem na coalizão nem na oposição, não há um político de estatura, sabedoria ou coragem capaz de lidar com esses dois explosivos e, ao menos, enfraquecê-los ou impedir que sua detonação ocorra de forma gradual.

Postar um comentário

0 Comentários