Ainda sem acordo com Irã, EUA movem mais aeronaves militares para o Oriente Médio

O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, e o presidente dos EUA, Donald Trump. (Foto: Doug Mills/STR/EFE/EPA)

Washington e Teerã não conseguiram alcançar um acordo durante as negociações realizadas nesta quinta-feira (26), em Genebra, na Suíça


O governo dos Estados Unidos moveu mais aeronaves militares para o Oriente Médio nos últimos dias. Tal movimentação ocorre após a ausência de acordo nas negociações nucleares em curso com o Irã. O envio de mais aeronaves militares para a região é um indicativo de que Washington quer aumentar a pressão diplomática e militar sobre Teerã.

A movimentação foi revelada através de imagens de satélite e relatórios de inteligência aberta. Segundo a agência Reuters, imagens de satélite de alta resolução mostram que o número de aeronaves militares dos EUA na base aérea Prince Sultan, na Arábia Saudita, que é utilizada há décadas pelas forças americanas, subiu de 27, em 17 de fevereiro, para 43 no último final de semana. Entre os aviões identificados estavam 13 reabastecedores Boeing KC-135 Stratotanker e seis aeronaves de alerta aéreo antecipado E-3 Sentry (AWACS). Na quarta-feira (25), o total havia recuado para 38 aeronaves.

De acordo com analistas ouvidos pela agência, 29 das aeronaves estacionadas na base no último dia 21 eram de grande porte, indicando mobilização logística e de apoio operacional.

Imagens analisadas pela agência turca Anadolu indicam que mais de 330 aeronaves americanas estão atualmente posicionadas sob o Comando Central dos EUA (Centcom), distribuídas principalmente entre as bases de Al-Udeid, no Catar; Muwaffaq Salti, na Jordânia; e na Prince Sultan, na Arábia Saudita.

O contingente mobilizado reúne aeronaves de combate e apoio, incluindo caças F-18, F-15, F-16 e F-35, além de aviões de guerra eletrônica EA-18G "Growler" e aeronaves AWACS, de vigilância eletrônica. Dois grupos de porta-aviões, o USS Abraham Lincoln e o gigante USS Gerald R. Ford, também estão na região.

Washington e Teerã não conseguiram alcançar um acordo durante as negociações realizadas nesta quinta-feira (26), em Genebra, na Suíça. O impasse ainda é a limitação do programa nuclear do regime islâmico e o controle sobre o programa de mísseis balísticos.

O Presidente Donald Trump demonstrou frustração com o andamento das tratativas nesta sexta-feira (27) e afirmou que "às vezes é preciso usar a força", embora tenha dito que ainda não tomou decisão final sobre Teerã.

O ministro das Relações Exteriores de Omã, Sayyid Badr Albusaidi, que atua como mediador nas negociações, afirmou que houve progresso nas conversas e que novas discussões técnicas estão previstas para a próxima semana, em Viena. Ainda assim, não houve sinal de avanço suficiente para reduzir a tensão militar crescente.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos autorizou nesta sexta a saída de funcionários não essenciais e de familiares da missão diplomática americana em Israel, conforme comunicado oficial da pasta.

Segundo a nota, a medida foi adotada "devido a riscos de segurança", em meio à crescente tensão regional. O alerta menciona que a situação em Israel, incluindo Tel Aviv e Jerusalém, é "imprevisível" e pode envolver disparos de foguetes, morteiros, drones e mísseis sem aviso prévio.

De acordo com o jornal The New York Times, o embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, orientou por e-mail que os funcionários que desejarem deixar o país o façam "imediatamente".

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