Especialista avalia: para ganhar o Prêmio Nobel e chegar a um acordo histórico com a Arábia Saudita, o Presidente americano planeja impor um governo de unidade em Jerusalém – independentemente de quem vença as eleições | Trump: "Eu disse a Bin Salman: 'Agora é a hora de aderir aos Acordos de Abraão'"
O Presidente americano Donald Trump já está trabalhando para definir a composição do próximo governo de Israel, com o objetivo de garantir uma ampla coalizão capaz de aprovar um acordo histórico de normalização com a Arábia Saudita. É o que afirma, em uma publicação na rede X, o Dr. Kobi Barda, especialista em história política dos Estados Unidos.. Segundo Barda, as manobras americanas impedem, na prática, a formação de um "governo totalmente de direita" após as próximas eleições em Israel e visam um governo de unidade, independentemente da identidade do político que o liderará.
Segundo ele, não importa quem receba o mandato para formar o próximo governo, seja Benjamim Netanyahu, Naftali Bennett, Gadi Eizenkot ou Yair Lapid, Trump se encarregará de "chamar" o candidato e garantir que seja formado um governo que integre as principais forças da política israelense.
"Se alguém acha que a Arábia Saudita, por um lado, servirá de 'tapete' para a eleição de um governo totalmente de direita, ou que Trump abrirá mão dos sonhos do Nobel e dos interesses dos EUA e da família Trump (eles estão sempre juntos…), e não o chamar, após as eleições, para formar o próximo governo que fará as pazes com a Arábia Saudita, não compreende a forma como Trump influencia a região e coloca todos na linha", escreveu ele.
הנשיא טראמפ מסדר את השולחן עבור הממשלה הבאה, שדבר אחד בוודאות היא לא תהיה ממשלת "ימין על מלא".
— קובי ברדה-Dr. Kobby Barda (@kobbybarda) March 28, 2026
בין אם זה יהיה נתניהו, בין אם זה בנט, איזנקוט או לפיד לצורך העניין, שירכיב את הממשלה הבאה, זו תהיה ממשלה של איחוד שני הכוחות.
אם מישהו חושב שסעודיה מחד תהיה "השטיח" של הבחירות לממשלת… https://t.co/xm5kN5mCMr
Segundo Barda, as ações que orientam Trump visam consolidar o que ele define como "o maior de todos". "Aquele por quem o mundo esperou 'apenas' 3.000 anos (por que 3.000? Porque esse é o tempo em que há um conflito entre os filhos de Abraão, em cujo nome se baseia o acordo, Ismael e Isaque) para que chegue o ruivo com a chave para estabelecer a paz, bloquear o projeto "Cinturão e Rota" da China nas disputas de IA e ainda ganhar um Nobel no caminho".
No fim de semana, Trump pediu à Arábia Saudita que aderisse aos Acordos de Abraão e afirmou que o assunto surge de vez em quando nas conversas que mantém com Mohammed bin Salman, o herdeiro do trono saudita. "Agora é a hora de aderir!", disse Trump em um discurso na Flórida, "Acabamos com o Irã. Precisamos aderir aos Acordos de Abraão. Mohammed disse: 'Sim, sim, assim que fizermos isso, assim que fizermos aquilo", e eu disse a ele: 'Mohammed, já fizemos isso'. Agora é a hora. Já tiramos o Irã do jogo. Eles estão fora, e de vez. Precisamos aderir agora aos Acordos de Abraão, e esperamos que todos os países façam parte dos Acordos de Abraão". Além disso, o New York Times noticiou no fim de semana que Bin Salman está pressionando Trump a continuar a guerra contra o Irã e não se contentar com um acordo de cessar-fogo com o regime.
A guerra com o Irã coloca Bin Salman em uma situação complexa: as exportações de petróleo, principal fonte de renda do reino, estão sendo prejudicadas devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz e, ao mesmo tempo, o Irã ataca alvos no território saudita e de seus aliados na região. Além disso, o jornal britânico "Financial Times" noticiou ontem que o Paquistão está considerando se retirar da aliança de segurança assinada há alguns meses com Riad. Segundo a reportagem, a aliança está começando a pesar significativamente sobre o país, justamente nos momentos em que ele tenta se posicionar como mediador central no conflito no Oriente Médio. O acordo, que estabelece que um ataque a um dos países será considerado um ataque ao outro, tornou-se motivo de profunda preocupação em Islamabad, tendo em vista as trocas de golpes na região e o ataque à base aérea na Arábia Saudita por parte do Irã. Uma fonte paquistanesa a par do pensamento da cúpula do exército admitiu ao "Financial Times": "O acordo saudita está se tornando um problema para nós. Era para ser dinheiro em troca de dissuasão, mas não recebemos novos investimentos sauditas, e a dissuasão fracassou".
Na semana passada, o Dr. Moshe Elad avaliou, em artigo publicado no jornal Ma'ariv, que o confronto direto entre o Irã e a Arábia Saudita representa um divisor de águas nas relações entre os dois países. "O Irã xiita atacou a Arábia Saudita sunita em resposta aos ataques dos Estados Unidos e de Israel em seu território. A Arábia Saudita, considerada uma aliada central dos Estados Unidos, sofreu mais de mil mísseis e drones lançados na primeira semana da guerra", escreveu ele, "Não se trata apenas de um evento militar de grande escala, mas de uma declaração estratégica clara: do ponto de vista do Irã, não há mais linhas vermelhas que impeçam um ataque direto, inclusive contra atores sunitas centrais. A visão de mundo iraniana, orientada por clérigos xiitas e que combina ideologia com poder, não reconhece mais as fronteiras tradicionais de um conflito meramente indireto, e até mesmo as 'amizades' sunitas podem ser vistas como inimigas".


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