Navio russo afunda com supostos reatores nucleares para a Coreia do Norte

Presidente da Rússia, Vladimir Putin (dir.) e ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un (esq.) | Foto: Reprodução/Twitter/X

Explosões misteriosas derrubam cargueiro vigiado pelos EUA na costa da Espanha

Um cargueiro da Rússia carregado com dois reatores nucleares para submarinos afundou em circunstâncias misteriosas a 100 quilômetros da costa da Espanha. Segundo a CNN internacional, a embarcação Ursa Major teria como destino a Coreia do Norte. A apuração sugere uma intervenção militar ocidental para impedir que Moscou entregue tecnologia atômica ao regime do ditador Kim Jong-un.

O incidente ocorreu em dezembro de 2024, semanas depois de a Coreia do Norte enviar 10 mil soldados para ajudar a Rússia na guerra contra a Ucrânia. O navio sofreu três explosões na lateral antes de parar e afundar no Mar Mediterrâneo. Dois tripulantes morreram no desastre.

Reatores escondidos e carga falsa

O capitão do navio, Igor Anisimov, confessou aos investigadores espanhóis que a carga, declarada como "tampas de bueiro", escondia componentes de dois reatores nucleares. O plano original previa a entrega do material no porto norte-coreano de Rason. A Rússia utilizou o navio Ursa Major, veterano de campanhas na Síria, para tentar burlar a vigilância internacional.

Especialistas questionam o trajeto do navio. A Rússia possui uma vasta malha ferroviária para enviar equipamentos ao extremo oriente, mas escolheu uma rota marítima global. Imagens de satélite confirmam o carregamento de contêineres e guindastes de grande porte antes da partida de São Petersburgo.

Investigação aponta uso de torpedo

A perícia no casco do Ursa Major revelou um buraco de 50 centímetros com o metal dobrado para dentro. A investigação espanhola suspeita do uso de um torpedo do tipo Barracuda, arma de alta velocidade que perfura cascos sem necessariamente usar explosivos. Apenas Estados Unidos, Rússia, Irã e alguns membros da Otan possuem essa tecnologia.

Aviões "farejadores" de radiação dos Estados Unidos sobrevoaram o local do naufrágio duas vezes no último ano. Além disso, um navio espião russo visitou os destroços uma semana depois do afundamento. Quatro novas explosões foram registradas na área na ocasião, possivelmente para destruir evidências no fundo do mar.

Resposta russa e silêncio espanhol

A empresa dona do navio, Oboronlogistics, chamou o episódio de "ataque terrorista direcionado". O governo da Espanha demorou dois meses para se manifestar e alegou que os destroços estão a 2.500 metros de profundidade, o que impediria a recuperação da caixa-preta. Deputados de oposição na Espanha acusam o governo de esconder informações sobre o risco radioativo na costa sul.

Analistas de defesa consideram a transferência de reatores um movimento gravíssimo de Moscou. A tecnologia permitiria que a Coreia do Norte operasse submarinos nucleares, mudando o equilíbrio de poder na Ásia. O Pentágono e os militares russos não comentaram os detalhes da operação.

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