Cuba afirma que suas forças armadas se preparam para possível 'agressão militar' dos EUA

O ditador de Cuba, Miguel Díaz-Canel, durante homenagem aos 32 seguranças cubanos de Maduro mortos em operação dos EUA na Venezuela (Foto: Ernesto Mastrascusa/EFE)

"Nossas forças armadas estão sempre preparadas", disse o vice-ministro das Relações Exteriores, Carlos Fernández de Cossio, em entrevista que foi ao ar no domingo no programa Meet the Press, da NBC


O vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossío, afirmou em entrevista a uma emissora americana, neste domingo (22), que as forças armadas da ilha estão se preparando para uma possível agressão militar por parte dos Estados Unidos.

"Nossas forças armadas sempre estão preparadas e, de fato, nestes dias estão se preparando para a possibilidade de uma agressão militar", declarou o político em uma entrevista ao programa Meet the Press, da NBC News. "A verdade é que sempre vemos isso como algo muito distante. Não acreditamos que seja provável, mas seríamos ingênuos se não nos preparássemos", acrescentou.

O vice-ministro ressaltou que o regime não vê "nenhuma justificativa" para que ocorra uma ação militar em Cuba, já que o país é "pacífico" e não representa "nenhuma ameaça" para os Estados Unidos.

EUA apertam o cerco

As tensões entre EUA e Cuba se intensificaram após a captura do ditador venezuelano, Nicolás Maduro, em janeiro. Na ocasião, o Presidente Donald Trump e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, que é filho de imigrantes cubanos, alertaram que Cuba poderia ser o próximo alvo de uma intervenção militar. "Se eu vivesse em Havana e fizesse parte do governo, estaria preocupado", declarou Rubio na época.

Na última semana, Trump renovou as ameaças, dizendo que seria uma "honra tomar a ilha caribenha e fazer com ela o que quisesse". Uma reportagem publicada pelo jornal The New York Times, na segunda-feira (16), também afirmou que o governo Trump condiciona as negociações entre os países à saída do ditador Miguel Díaz-Canel do poder.

Sobre esse tema, o vice-ministro disse que "a natureza do governo cubano, a estrutura do governo cubano e os membros do governo cubano não fazem parte da negociação". "Isso é algo que nenhum país soberano negocia", comentou.

Em janeiro, Trump assinou uma ordem executiva para impor tarifas aos países que forneçam petróleo a Cuba, em uma tentativa de agravar a crise na ilha, que já havia piorado pelo corte no envio de combustível venezuelano após a derrubada de Maduro. Como resultado, a ilha tem vivido apagões generalizados – só em março, foram três; o último deles, neste sábado (21), deixou mais de 10 milhões de pessoas no escuro.

"O que está acontecendo hoje é que os EUA estão ameaçando com medidas coercitivas países que possam exportar combustível para Cuba, e essa é a razão pela qual Cuba não recebe combustível há muito tempo", disse Fernández de Cossío. "É muito grave, e estamos agindo o mais proativamente possível para lidar com a situação. Esperamos que o combustível chegue a Cuba de uma forma ou de outra, e que esse boicote imposto pelos Estados Unidos não dure e não possa ser sustentado para sempre", destacou o cubano na entrevista.

O político reiterou que Cuba "não tem nenhum conflito" com os EUA. "Temos a necessidade e o direito de nos proteger, mas estamos dispostos a nos sentar para dialogar. Estamos abertos a fazer negócios e a manter uma relação respeitosa que, estou certo, a maioria dos americanos apoiaria", ressaltou.

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