O Presidente dos EUA fala em um acordo histórico que deve trazer "paz e segurança para toda a região". Em Jerusalém, porém, o ceticismo prevalece. Muitos pontos-chave de discórdia com o Irã permanecem sem solução
O Presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou surpreendentemente no domingo que um acordo entre os Estados Unidos e o Irã havia sido concluído. Em diversas publicações em sua plataforma Truth Social, Trump descreveu um "grande acordo" que trará "paz e segurança para toda a região". Ao mesmo tempo, anunciou o levantamento imediato do bloqueio naval americano contra o Irã, bem como a reabertura do Estreito de Ormuz — uma das rotas marítimas mais importantes para o comércio global de petróleo.
“The Deal with Islamic Republic of Iran is now complete. Congratulations to all!” President Donald J. Trump 🇺🇸 pic.twitter.com/RdSwyEdEtO
— The White House (@WhiteHouse) June 14, 2026
A notícia chamou a atenção do mundo inteiro. Os preços do petróleo caíram significativamente, enquanto os mercados de ações reagiram de forma positiva. Os investidores apostam em uma desescalada no Golfo Pérsico e na estabilização dos mercados de energia.
De acordo com mediadores, incluindo o Paquistão, o acordo deverá ser assinado oficialmente nos próximos dias. Representantes iranianos também confirmaram que uma minuta de declaração de intenções foi preparada. No entanto, inúmeros detalhes ainda permanecem em aberto.
O que está previsto no acordo?
De acordo com as informações disponíveis até o momento, o acordo se concentra principalmente no encerramento do confronto militar entre os Estados Unidos e o Irã. O Estreito de Ormuz deverá ser totalmente reaberto, o bloqueio americano levantado e um cessar-fogo de várias semanas entrará em vigor. Negociações adicionais deverão ocorrer posteriormente.
No entanto, o que não está incluído no acordo é igualmente notável. Nem o programa de mísseis do Irã, nem seu apoio a organizações proxy como o Hezbollah, os Houthis ou outras milícias pró-iranianas parecem ter sido abordados. O futuro dos estoques de urânio do Irã também permanece amplamente indefinido. Diversos relatórios indicam que as disputas centrais foram postergadas para conversas futuras.
Justamente esse ponto gera preocupação em Israel.
Os interesses de segurança de Israel
Em Jerusalém, tem sido enfatizado há semanas que qualquer acordo entre americanos e iranianos não deve restringir a liberdade de ação de Israel. O governo israelense continua a ver o Hezbollah como uma ameaça imediata à população no norte do país e deixou claro que continuará a agir militarmente contra ataques provenientes do Líbano.
Essa postura ficou evidente novamente no fim de semana, quando a Força Aérea israelense atacou alvos do Hezbollah na região de Beirute. Os ataques ocorreram em resposta a ataques de drones no norte de Israel. Enquanto Washington encarou a ação militar com reservas e temia que ela pudesse comprometer as negociações em curso, Jerusalém declarou que a segurança dos cidadãos israelenses não está sujeita a concessões diplomáticas.
Para muitos observadores israelenses, surge, portanto, a questão de saber se o novo acordo pode de fato levar a uma desescalada duradoura ou se representa apenas um cessar-fogo temporário.
Resistência também no Irã
Curiosamente, as críticas não partem apenas de Israel. Os acordos também enfrentam considerável oposição dentro do próprio Irã. Representantes dos campos conservador e ultraconservador acusam o governo de ter feito concessões excessivas. Alguns chegam a falar em "capitulação" diante dos Estados Unidos.
A liderança iraniana rejeita essas acusações e enfatiza que nenhuma nova restrição ao programa nuclear foi aceita. Teerã continua a insistir em seu direito de enriquecer urânio e vê o acordo apenas como um passo para encerrar a crise atual.
Paz ou adiamento?
Trump apresenta o acordo como um sucesso de política externa e como prova de que sua estratégia em relação a Teerã funcionou. De fato, a reabertura do Estreito de Ormuz pode contribuir, no curto prazo, para a estabilização dos mercados internacionais e para evitar uma escalada militar ainda maior.
No entanto, permanece incerto se o acordo é capaz de resolver os conflitos fundamentais entre o Irã e seus vizinhos. Nem o programa nuclear iraniano, nem seu apoio a organizações proxy armadas foram tratados de forma conclusiva até o momento. E são justamente essas questões que estão no centro das preocupações de segurança de Israel há anos.
Para Israel, a questão decisiva não é, portanto, se um acordo será assinado, mas o que acontecerá depois. Caso o Irã continue suas atividades regionais sem alterações, o acordo atual pode ser apenas uma trégua — e não uma solução duradoura.
As próximas semanas mostrarão se a promessa de Trump de "paz e segurança para toda a região" se tornará realidade ou se as profundas diferenças entre Jerusalém e Teerã voltarão a emergir em breve.

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