Ambos teriam tido uma conversa tensa, mas Integrantes do governo israelense relativizaram a avaliação
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, seguirá sua linha em relação ao Irã, em meio às divergências sobre os rumos do conflito envolvendo Teerã. A declaração ocorreu um dia depois de os dois líderes manterem uma conversa telefônica descrita por fontes como tensa. Questionado sobre o telefonema, Trump respondeu que Netanyahu "é um grande homem" e acrescentou que o líder israelense "fará o que eu quiser".
Nos bastidores, o clima da conversa teria sido de forte preocupação por parte do premiê israelense. Uma fonte norte-americana afirmou ao portal Axios que Netanyahu deixou a ligação extremamente apreensivo. Integrantes do governo israelense, contudo, relativizaram a avaliação. Eles disseram que o premiê costuma demonstrar preocupação em negociações envolvendo o Irã, inclusive em tentativas anteriores que fracassaram.
Nos últimos meses, Netanyahu tem destacado a proximidade política com Trump e atribuído ao republicano uma série de decisões favoráveis a Israel. O último encontro entre ambos ocorreu em fevereiro, em Washington. Ao mesmo tempo, essa relação também alimentou críticas de adversários políticos, que afirmam que o premiê perdeu espaço para confrontar a Casa Branca em questões estratégicas, em um momento no qual o cenário político israelense já começa a se movimentar para as próximas eleições legislativas, previstas para outubro de 2026.
O premiê israelense continua defendendo a retomada das ações militares contra o Irã, sob a alegação de que metas consideradas essenciais ainda não foram alcançadas, sobretudo em relação ao programa nuclear iraniano, ao sistema de mísseis de Teerã e ao apoio dado pelo regime a grupos aliados no Oriente Médio. Embora admita uma solução diplomática, Netanyahu mantém dúvidas sobre a disposição iraniana para negociar de maneira concreta.
De acordo com o site Axios, Trump aproveitou a conversa de terça-feira para atualizar Netanyahu sobre novos esforços diplomáticos liderados por países árabes e muçulmanos na tentativa de construir um entendimento entre Washington e Teerã. Em março, ao ser questionado pelo The Times of Israel sobre quem decidiria o fim da guerra contra o Irã, Trump afirmou que a definição seria "mútua". Semanas depois, porém, quando um cessar-fogo foi anunciado, autoridades israelenses teriam sido pegas de surpresa.
Apesar das diferenças sobre a condução do conflito, Trump evitou críticas públicas a Netanyahu e chegou a defender que o presidente de Israel, Isaac Herzog, concedesse perdão ao premiê no processo de corrupção que ele enfrenta. A proposta em discussão teria sido estruturada inicialmente por Catar e Paquistão, com participação de Arábia Saudita, Turquia e Egito. O plano prevê a assinatura de uma carta de intenções entre EUA e Irã, encerrando formalmente a guerra e abrindo um período de 30 dias de negociações. Entre os temas previstos estão a reabertura do Estreito de Ormuz e limitações adicionais ao programa nuclear iraniano.
Pontos de discordância entre Trump e Netanyahu
Foi durante a conversa, entretanto, que Trump e Netanyahu demonstraram posições diferentes sobre os próximos passos. De acordo com a Axios que o premiê considera insuficiente o modelo em negociação e defende a continuidade da pressão militar sobre o regime iraniano, inclusive com ataques a estruturas consideradas estratégicas. Nem o gabinete de Netanyahu nem a Casa Branca comentaram oficialmente a reportagem.
Nos últimos dias, mediadores vêm tentando reduzir divergências em torno da proposta apresentada pelo Paquistão. Fontes árabes e israelenses disseram ao Axios que o Catar apresentou uma nova versão do entendimento aos dois lados. Outra fonte catariana, contudo, afirmou que Doha apenas trabalha para aperfeiçoar o texto original patrocinado pelos paquistaneses.

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